Polícia

Medo e insegurança colocam investimento em segurança como nova despesa de campo-grandenses

Os meses de dezembro e janeiro, que correspondem às férias escolares e aos recessos de fim de ano, são os que mais contam com registros policiais de furto a domicílios. Só em MS, conforme dados da Sisp (Superintendência de Inteligência de Segurança Pública) da Sejusp-MS (Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do […]

Danielle Errobidarte Publicado em 07/02/2021, às 07h30 - Atualizado às 17h03

Instalação de câmeras é apenas um dos muito recursos utilizados para tentar barrar furtos (Foto: Leonardo de França)
Instalação de câmeras é apenas um dos muito recursos utilizados para tentar barrar furtos (Foto: Leonardo de França) - Instalação de câmeras é apenas um dos muito recursos utilizados para tentar barrar furtos (Foto: Leonardo de França)

Os meses de dezembro e janeiro, que correspondem às férias escolares e aos recessos de fim de ano, são os que mais contam com registros policiais de furto a domicílios. Só em MS, conforme dados da Sisp (Superintendência de Inteligência de Segurança Pública) da Sejusp-MS (Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul), houve registros de 1.483 furtos em domicílios, dos quais 888 ocorreram no interior e 595 da Capital, de 1º a 27 de janeiro deste ano. Ao longo de todo ano de 2020, foram 7.878 no Estado, dos quais 3.179 ocorreram em Campo Grande.

A situação tem feito com que muitas famílias campo-grandenses coloquem os investimentos em segurança, como travas, cercas eletrificadas, câmeras de segurança e até vigilância particular, como uma nova despesa fixa para evitar o dissabor de chegar em casa e se deparar com um portão arrombado e bens furtados. Para isso, tem quem desembolse até R$ 4 mil.

O Jornal Midiamax realizou um levantamento de preços de equipamentos de segurança para residências. O principal deles, as câmeras de segurança, cada vez mais comuns nas casas, e que, nos últimos meses, ajudaram as autoridades policiais a desvendarem roubos, furtos e até assassinatos, em poucos dias.

A compra e instalação de câmeras de segurança varia de acordo com o modelo e a quantidade. Além disso, é preciso do HD para armazenar a imagem. O sistema pode custar de R$ 2.000 a R$ 2.650, com 4 câmeras mais instalação, a R$ 3257, com monitoramento por aplicativo de celular.

A cerca elétrica, contudo, é uma opção mais barata para quem não pode desembolsar uma quantia maior. O valor exato depende do tamanho do muro a ser colocado, mas varia entre R$ 18 e R$ 25 o metro. Os alarmes também dependem da quantidade de sensores para precificar: a partir de R$ 1650 com 4, R$ 850 com 6 e R$ 2250 com 8. A trava de portão pode ser uma alternativa para quem deseja começar a investir em segurança residencial: custa R$ 380, o par.

Vida sem paz

Medo e insegurança colocam investimento em segurança como nova despesa de campo-grandenses
Câmeras de segurança e cerca elétrica foram investimentos de morador do Rita Vieira após vizinho ser furtado. (Foto: Leonardo de França)

Não é a toa que a procura por condomínios fechados tem disparado no mercado imobiliário: a vulnerabilidade das residências individuais transforma a vida de moradores num filme tenso onde o pior pode ocorrer a qualquer momento.

Um morador do bairro Rita Vieira, de 35 anos, e que prefere não se identificar, investiu cerca de R$ 2 mil no circuito de segurança. Entretanto, ele não acha que os recursos investidos são suficientes e pretende comprar mais peças. O desembolso ocorreu após a audácia de um furto ocorrido em seu vizinho.

“Em dezembro arrombaram o portão do vizinho, acho que só não me dei mal porque estava em casa na hora. Avisei o vizinho e, quando ele, chegou viu que tinham roubado um tênis e uma televisão, mas deixaram a TV em um terreno baldio ali perto. No dia seguinte, todo mundo começou a investir em equipamentos de segurança”, afirma.

Fato semelhante ocorreu com a empresária Gabrielly Maria Barbosa, de 33 anos. Durante as férias, ainda neste mês de janeiro, a casa onde ela vive com a família, no Bairro Jardim Itamaracá, sofreu tentativa de furto duas vezes. Por isso, eles tiveram que adiantar a volta à Capital.

“O bairro já melhorou muito, contudo, no final do ano sempre aumentam os relatos de roubos e furtos. Enquanto estava viajando, tentaram pular e forçar o portão para abrir duas vezes. Na última, a vizinha ouviu os cachorros latindo e conseguiu gritar. Além do cão, tenho câmeras, cerca elétrica, concertina e trava nos portões”, relata.

Nos últimos quatro anos, a casa de Valter Jeronymo, no Bairro Santo Antônio, foi roubada todo começo de ano. Ele lembra que, em 2019, vez com maior prejuízo, quatro indivíduos entraram em sua residência e colocaram os móveis e eletrodomésticos que furtariam na calçada.

“Meu vizinho que escutou barulho e me ligou. Quando disse que não estava em casa, ele gritou por cima do muro dizendo que a polícia estava vindo, e a quadrilha levou o que conseguiu. Estava tudo pronto, na garagem, para eles fazerem um limpa total”, recorda.

O Jardim Jerusalém, Parque Residencial Isabel Garden, São Jorge da Lagoa, Rita Vieira, Jardim Leblon, Vila Polonês e Tiradentes são alguns dos bairros que, em 2020, tiveram suas casas furtadas. Apesar da presença dos equipamentos de segurança não intimidarem a ação dos bandidos, ajudam na recuperação dos itens furtados e até na investigação policial para identificar os autores.

Vigilância coletiva

Pensando no alto custo que esses equipamentos podem gerar para os usuários, empresa da Capital criou um sistema de monitoramento ao vivo e compartilhado.

“As pessoas compartilham o mesmo sistema de segurança. Cada um dos usuários recebe senha e login e pode ver as imagens das câmeras pelo celular. Quando um deles emite alerta, todos recebem, felicitando nas ocorrências mais urgentes”, explica Daniel Raulino, proprietário da franquia em Campo Grande.

Jornal Midiamax