Polícia

Marinha conclui que assessor do governo de MS matou pescador ao dirigir embriagado em alta velocidade

Relatório final aponta que Nivaldo Thiago Filho de Souza era “infrator recorrente e conduzia lancha sem habilidades necessárias”

Danielle Errobidarte Publicado em 19/07/2021, às 19h14

Nivaldo foi identificado como suspeito de causar o acidente que terminou com uma pessoa morta.
Nivaldo foi identificado como suspeito de causar o acidente que terminou com uma pessoa morta. - (Foto: Reprodução)

A Marinha do Brasil concluiu o relatório de investigação sobre a morte do pescador Carlos Américo Duarte, de 59 anos, ocorrido no dia 1º de maio. O assessor do governo de Mato Grosso do Sul, Nivaldo Thiago Filho de Sousa, foi considerado responsável direto pelo acidente de navegação, além de ter conduzido a embarcação “Mamba Negra” sob efeito de álcool e sem a habilidade necessária.

No documento, obtido pelo Jornal Midiamax, a conclusão é de que Nivaldo infringiu os incisos I, VII e IV do artigo 23 da Marinha: “conduzir embarcação em estado de embriaguez ou após uso de substância entorpecente ou tóxica”, com “velocidade superior à permitida” e “descumprir regra do regulamento internacional”. Nesta última, a decisão ainda afirma que Nivaldo não realizou manobra para evitar o abalroamento das embarcações.

A causas determinantes para o acidente foram a imperícia – falta de experiência – e imprudência – ausência de cuidado - do condutor da embarcação, ou seja, do servidor da Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica de Mato Grosso do Sul, nomeado desde 2015, primeiro ano de gestão do governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

O documento prossegue dizendo que “restou comprovado nos autos que o mesmo [Nivaldo] conduzia a embarcação sem habilitação, em alta velocidade e após ingerir bebida alcoólica”. Além disso, o acidente que vitimou o pescador não foi a primeira vez em que Nivaldo dirigiu com irregularidades.

Ele foi classificado pela Marinha como “infrator costumaz, visto que sempre conduzia a embarcação sem ter os conhecimentos necessários, colocando em risco a segurança da navegação e a vida da própria família”. A atitude, considerada imprudente pelo julgamento, “contraria as regras de segurança da navegação e afeta a segurança a bordo, colocando em risco, que não tardou a ocorrer, as vidas a bordo”, finaliza o documento.

O acidente

Conforme já noticiado, Nivaldo estaria embriagado enquanto conduzia uma lancha, de forma imprudente, no momento em que, numa curva, atingiu a embarcação em que o pescador Carlos estava com o filho, no encontro dos rios Aquidauana e Miranda, na região de Miranda, a 168 quilômetros de Campo Grande. Segundo o filho de Carlos, após a colisão, o autor jogou garrafas de bebidas no rio e fugiu em alta velocidade. Ele acabou localizado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) em uma camionete Hilux na BR-262, com a mulher e os filhos, que também estavam na embarcação.

Apesar de confessar que havia bebido, ele não quis fazer o teste de bafômetro, foi levado para a delegacia e ouvido, mas liberado. Foi apurado então que ele não tem o Arrais, documentação necessária para pilotar a embarcação, mas disse que era apto. Ele responderá pelo homicídio culposo e também por duas lesões corporais culposas, mas o caso segue em investigação. Segundo a polícia, durante a fuga a lancha de Nivaldo começou a afundar e a tripulação precisou ser socorrida.

Jornal Midiamax