Polícia

Marcas de pés em muro indicam fugas rotineiras de presídio em Campo Grande

Moradores da região reclamam de segurança

Renata Portela e Ranziel Oliveira Publicado em 10/09/2021, às 18h13

Marcas de pés no muro ao lado do presídio
Marcas de pés no muro ao lado do presídio - (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

O presídio de regime aberto de Campo Grande, a Casa do Albergado, que fica na Rua Américo Marquês, no Lar do Trabalhador, é alvo de reclamações de moradores da região, por falta de segurança. Indicando que internos acabam passando a noite fora do presídio, várias marcas de pés foram identificadas no muro de trás da unidade.

As marcas de barro indicam que, possivelmente, presos saiam após darem entrada na unidade, que é para recolhimento noturno no cumprimento de regime aberto. Depois, eles acabam voltando, para assinarem a saída na manhã seguinte. Moradores na região relataram ao Midiamax que já viram várias vezes os presos saindo.

Uma mulher de 44 anos que mora no bairro disse “A gente fica muito preocupado, isso é um descaso, acho que eles fazem de conta que não veem”, se referindo aos agentes que trabalham na unidade. Isso, porque os presos andam pelo telhado para terem acesso ao muro e há câmeras de segurança no muro.

(Foto: Leonardo de França, Midiamax)

“Durante o dia você vê eles andando e escondendo coisas no mato, já presenciamos assassinato, vi eles andando em volta, não é seguro”, finalizou. Outro morador da região, de 46 anos, relatou que já viu grupos de presos pulando o muro e indo para a rua. “Junta uns 5 ou 6, um sobe nas costas do outro e lá de cima puxam uma corda”, disse.

Ainda segundo o homem, isso costuma acontecer por volta das 22h30, aproximadamente meia hora após os presos darem entrada na unidade. “Falando a verdade, às vezes eles ganham dinheiro ou alguma coisa para fazer de conta que não veem”, disse a testemunha sobre os funcionários da Casa do Albergado.

Outro morador na região, de 25 anos, que há quatro mora nas proximidades do bairro, também conta que soube de saídas de presos. “Já ouvi também relatos de pessoas sendo assaltadas no horário que eles saem”, contou. “Você vê claramente que eles estão saindo durante a madrugada”, disse sobre as marcas dos pés no muro.

De acordo com a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), está sendo realizado trabalho de vistoria pelos servidores penitenciários no Estabelecimento Penal "para coibir qualquer ação ilícita por parte dos custodiados", imediata comunicação ao Poder Judiciário.

Ainda segundo a nota, todos os apenados passam por revista diária para adentrar ao local, com uso de detector de metal e revista corporal feita por servidores penitenciários, complementando o procedimento.

Em caso de flagrante, com algum material ilícito, se for caracterizado como crime, o interno é conduzido à Delegacia de Polícia Civil para registro de ocorrência e providências cabíveis. Além disso, um Procedimento Administrativo Disciplinar também é aberto, e informado ao juízo de execução.

"Para evitar eventuais evasões, a Agepen tem investido ainda no aumento da iluminação de pontos estratégicos do local, assim como, no monitoramento in loco da área pelos servidores de plantão, realizada a identificação de indivíduos que insistem em transgredir as regras para regressão de regime, conforme determinação judicial. As marcas de pés as quais relatam, se trata do quintal do vizinho e não pertence ao muro da unidade penal", finaliza a nota. 

*matéria alterada dia 11 de setembro, às 09h20, para acréscimo de informações 

Jornal Midiamax