Polícia

Há 5 anos, Campo Grande vivia ‘dias de terror’ com crimes ordenados da Máxima pelo PCC

Mais de 10 pessoas foram detidas por envolvimento com os crimes

Renata Portela Publicado em 15/04/2021, às 17h18

Ônibus foi queimado a mando de detentos
Ônibus foi queimado a mando de detentos - (Arquivo, Midiamax)

O mês de abril de 2016, especialmente após o dia 13, foi marcado por dias de tensão e terror em Campo Grande e outras cidades de Mato Grosso do Sul. Uma vistoria do tipo ‘pente-fino’ no Presídio de Segurança Máxima teria gerado desconforto entre presos integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), que de dentro da unidade passaram a coordenar ataques.

Naquele dia 13 de abril, foi feita a vistoria no Pavilhão II, ala conhecida por ser liderada pelo PCC na unidade prisional. Na madrugada do dia 14 de abril, dois ônibus foram incendiados em Campo Grande e um terceiro apedrejado, tudo a mando de um preso da Máxima, conforme apontado nas investigações policiais.

Várias pessoas foram detidas entre os dias 14 e 15, por envolvimento nos crimes. Cinco adultos, na época presos pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros), chegaram a confessar que os crimes haviam sido ordenados pelo PCC. No entanto, negaram serem membros da facção criminosa.

Além disso, eles revelaram que receberam a ordem dos ataques aos ônibus mediante pagamento, sendo que um teria recebido pequena quantia de dinheiro, outro uma quantidade de droga, outro teria recebido dinheiro para comprar gasolina. Na época, a polícia ressaltou que os presos disseram que aceitaram participar dos crimes “pela aventura”.

Na madrugada do dia 19, outro veículo foi incendiado e dois adolescentes apreendidos por envolvimento com o caso. Além dos ataques a ônibus, seis agentes penitenciários foram envenenados e precisaram de atendimento depois de tomarem um café, servido pelos internos na passarela do Pavilhão II na manhã do dia 20 de abril.

A suspeita é que a intoxicação dos agentes foi causada por chumbinho, que poderia ter entrado no presídio tanto pelo muro quanto pela visita. Naquela época, vários áudios circulavam pelos grupos de WhatsApp, alertando a população sobre possíveis novos ataques.

Ainda no mês de abril de 2016, foram pelo menos 5 mortes de detentos registradas na Máxima. Dias após os ônibus terem sido incendiados, vídeos dos presos da Máxima revoltados com o pente-fino também passaram a circular na internet.

Crime ordenado do presídio

Um dos presos pelos ataques aos ônibus em Campo Grande foi identificado como mandante de um assalto, no ano seguinte. Em fevereiro de 2017, família foi feita refém e mantida em cárcere privado durante roubo a uma residência no Taveirópolis. Os bandidos levaram vários pertences das vítimas, além de dois carros.

Após a prisão dos envolvidos, a Polícia Civil identificou que dois mandantes organizaram e ordenaram o crime, de dentro do presídio. Um deles foi apontado como o rapaz preso em abril de 2016 pelo Garras.

Vistorias nos presídios

Cinco anos depois, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) pontuou que segue realizando as vistorias nos presídios, de forma pontual. Por conta da pandemia, as ações são feitas respeitando os protocolos de biossegurança.

Além disso, o serviço de inteligência atua de forma integrada com as forças de segurança pública, nacionais e estaduais, acompanhando as movimentações e atuação das organizações criminosas.

Jornal Midiamax