Polícia

'A gente finge que não vê', dizem moradores vizinhos ao cemitério do PCC

Assustadas com violência, famílias dizem preferir ignorar movimentações estranhas no local

Thatiana Melo e Dayene Paz Publicado em 06/07/2021, às 09h38

None
(Henrique Arakaki, Midiamax)

Ainda muito assustados com a grande movimentação no bairro Santo Eugênio, depois da descoberta de um cemitério clandestino do PCC (Primeiro Comando da Capital), os moradores evitam tocar no assunto, e os poucos que se atrevem a falar com a equipe do Jornal Midiamax ainda o fazem desconfiados. 

Um morador que não quis se identificar disse: “Quando a gente vê alguma coisa, a gente finge que não vê”. O homem ainda relatou que havia uma grande movimentação de pessoas estranhas no local. Uma ossada foi encontrada pelos policiais civis da DEH ( Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios) nesta segunda-feira (5).


Banco de DNA

A ossada quase completa e outros restos mortais que podem ser de outra vítima foram encaminhadas para o IML (Instituto de Medicina Legal) para se deliberar sobre a causa mortis e se as vítimas seriam homem ou mulher. 

O DNA extraído será comparado com material genético que já faz parte do banco de dados da DEH, de pessoas desaparecidas e que familiares registraram boletim de ocorrência. Mas, conforme o delegado Carlos Delano, titular da DEH, ainda não se pode precisar se os restos mortais seriam de algum parente sumido dessas famílias. 

Achado de ossada

Desde às 9h30 dessa segunda-feira (5), equipes da Polícia Civil, Perícia e Corpo de Bombeiros fizeram buscas na região às margens do córrego, na Vila Santo Eugênio. Uma ossada completa que seria de uma pessoa foi localizada, sendo possível perceber todos os membros, além de peças de roupas e calçado. Havia um afundamento no crânio e também foram recolhidos ossos dos braços, caixa torácica e pernas. Outros ossos foram encontrados já a cerca de 1,5 metro de distância.

Segundo o delegado Carlos Delano, titular da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios), é possível que os ossos sejam de uma segunda vítima. No entanto, as investigações estão no início e ainda não foi possível identificar se a primeira vítima encontrada é um homem ou uma mulher.

As buscas por mais ossadas devem ser feitas com o apoio das cadelas de busca de desaparecidos dos bombeiros, Laika e Mali, um equipamento que pode ajudar a localizar cadáveres também deverá ser utilizado. Inicialmente, há suspeita de que o cemitério clandestino esteja ligado a crimes do PCC (Primeiro Comando da Capital), o conhecido ‘tribunal do crime’.

Jornal Midiamax