Polícia

Júri proíbe roupas que possam influenciar e pede segurança para major da PM que matou marido

Itamara vai a julgamento após 4 anos e 6 meses do crime

Thatiana Melo Publicado em 18/06/2021, às 10h44

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Um esquema está sendo montado para o julgamento da tenente-coronel da Polícia Militar Itamara Romeiro Nogueira que matou o marido, também PM, Valdeni Lopes Nogueira, de 45 anos, em 2016. A defesa da oficial tentou absolvição sumária junto ao STF (Supremo Tribunal Federal), mas teve o agravo negado pelo tribunal.

O julgamento acontece 4 anos e 6 meses após o crime, e para este júri foi deliberado e publicado em Diário da Justiça do Estado desta sexta-feira (18), algumas regras para o dia 23 deste mês quando Itamara irá enfrentar os jurados no banco de réus. 

Foi limitada a presença de 10 pessoas no plenário sendo cinco familiares da oficial e cinco da vítima. Está proibida a entrada de pessoas usando roupas que possam influenciar os jurados durante o julgamento de Itamara, como também está limitada a entrada da imprensa no plenário. Dois policiais devem fazer a segurança no plenário.

O esquema montado é devido a grande repercussão que o caso tomou na época, quando a oficial matou o marido na garagem de casa a tiros durante uma discussão. 

Julgamento pelo Conselho Militar

Foi decidido no dia 6 de novembro de 2019, pelo Conselho Militar que a tenente-coronel Itamara Romeiro Nogueira acusada de matar a tiros o marido devia ser reformada administrativamente, o que significaria uma aposentadoria compulsória.

A oficial foi julgada por três coronéis do Conselho da Polícia Militar, que parcialmente chegaram a conclusão após analisar os 27 anos da carreira de Itamara, a dinâmica dos fatos e os relatos de testemunhas, que a tenente deveria ser reformada administrativamente, não podendo mais voltar as suas funções, diferente da reserva em que o oficial pode voltar.

Relembre o crime

Durante uma briga, a tenente-coronel efetuou dois disparos contra o marido. O major Nogueira chegou a ser levado para a Santa Casa com um ferimento do tórax, mas não resistiu. Em dezembro de 2016 a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o homicídio e comprovou a versão apresentada por Itamara, a de legítima defesa.

Para a polícia, a policial, que chegou a participar de uma reconstituição do crime, afirmou estar sendo agredida pelo marido e que no momento em que ele saiu para buscar a arma no carro, ela reagiu. No dia do crime, Itamara foi presa em flagrante, mas acabou liberada logo em seguida e desde então responde o processo em liberdade. A primeira audiência sobre o caso aconteceu no dia 3 de outubro de 2017, às 13h30. Dez testemunhas de acusação foram ouvidas. A segunda audiência aconteceu no dia 21 de novembro de 2017, e a própria Itamara e outras nove testemunhas, essas de defesa, prestaram depoimento.

Jornal Midiamax