Polícia

Enterprise: foragido da maior operação da PF em 2020 é preso em apartamento

Estrangeiro também era procurado pela Interpol

Renata Portela Publicado em 20/05/2021, às 15h01

Imagem ilustrativa
Imagem ilustrativa - (Arquivo, Midiamax)

No início da semana, mais um foragido da Operação Enterprise foi detido pela Polícia Federal. O estrangeiro foi encontrado em um apartamento na cidade de São Paulo (SP) e era um dos alvos da maior operação da PF realizada em 2020, que cumpriu mandados em Mato Grosso do Sul.

Segundo a PF, o homem não foi encontrado no dia da operação, mas as investigações continuaram para que ele fosse localizado. A prisão aconteceu no apartamento em São Paulo, onde o acusado estava morando, utilizando nome falso. Também foi apreendida uma pistola calibre 9mm o imóvel, resultando em uma prisão em flagrante.

Droga também foi apreendida no local e segundo a PF o acusado era procurado pela Interpol, por conta de um latrocínio ocorrido em Curaçao, em 2015. Ao todo, já são pelo menos 44 prisões resultantes da Enterprise.

Balanço da ação

A Operação Enterprise foi uma ação conjunta entre a Polícia Federal e a Receita Federal, deflagrada em novembro de 2020. Foi a maior operação do ano no combate à lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e a maior da história na apreensão de cocaína nos portos brasileiros.

No dia 24 de novembro, a Polícia Federal divulgou o balanço. Entre os dados, está a confirmação da prisão de 40 pessoas, sendo três delas em outros países. Foram cumpridos mandados em Campo Grande durante a operação.

Conforme a divulgação, a operação que tinha como objetivo combater a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas prendeu 37 pessoas no Brasil. Também foi presa 1 pessoa no Panamá, 1 na Colômbia e 1 na Espanha.

Ainda foram apreendidos 200 quilos de cocaína, além de 61 veículos, 5 motocicletas, 4 caminhões e 1 jet-ski. Já o patrimônio bloqueado, em imóveis, carros de luxo, joias e aeronaves, está avaliado em aproximadamente R$ 400 milhões. Só entre as aeronaves, foi realizado sequestro de 37, uma delas na Espanha, avaliada em US$ 20 milhões.

Também foram apreendidas 16 armas de fogo, um simulacro e 507 munições. Já o dinheiro encontrado durante a operação totalizou R$ 1.141.002,00, U$ 169.352,00, € 9.000,00 e 1.120 Dirham (moeda dos Emirados Árabes Unidos).

Operação Enterprise

Ao todo foram expedidas 215 ordens judiciais, sendo 66 mandados de prisão e 149 de busca e apreensão. A ação teve a maior apreensão de drogas e de dinheiro da lavagem feita pela organização criminosa que começou a ser identificada em setembro de 2017, após apreensão de uma carga de cocaína no Porto de Paranaguá.

Segundo o delegado Elvis Secco, da Coordenação Nacional de Repressão a Drogas, Arma e Facções Criminosas, só nesta operação foram apreendidos em espécie 11 milhões de euros e 2 milhões. O dinheiro estava em propriedades da organização criminosa, que tinha como líder o ex-policial da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto de Carvalho. Ele morava na Europa e teve parte do patrimônio sequestrado pela Polícia Federal.

Ainda de acordoo com a PF, os membros da organização tinham trânsito livre pela Europa com o uso de passaportes falsos. A ação foi realizada em conjunto com a Receita Federal, em âmbito nacional e internacional, sendo a maior operação do ano no combate à lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e na apreensão de cocaína nos portos brasileiros.

Organização dos grupos

A organização criminosa era dividida em sete grupos no Brasil, sendo que havia grupos responsáveis pela logística do envio da cocaína para a Europa e subgrupos em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Em São Paulo eram dois grupos grandes de logística que fazia o envio através dos portos. Já no Rio Grande do Norte outros dois grandes grupos que faziam o envio através de barcos de pesca e de cargas de frutas.

Jornal Midiamax