Polícia

Delegado pede quebra de sigilo telefônico de ex-comandante da PMMS acusado de extorsão

Segundo o pedido, a quebra de sigilo telefônico é indispensável para aprofundar as investigações

Thatiana Melo Publicado em 22/06/2021, às 09h49

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Coronel Ivan acompanhado do corregedor-geral - (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Foi feito o pedido da quebra de sigilo telefônico do ex-comadante da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), José Ivan de Almeida de 66 anos e Reginaldo Freitas Rodrigues, e Patrick Samuel Georges Issa, acusados do crime de extorsão. Eles chegaram a ser presos em maio deste ano, mas conseguiram a liberdade logo depois. 

Um empresário procurou o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) para fazer a denúncia de extorsão feita pelo grupo identificado ‘braço armado’ de Patrick. Na denúncia feita pelo empresário, ele diz que passou a sofrer ameaças desde 2020 quando teria feito junto de seu sócio negócios com Patrick, no valor de R$ 80 mil, mas que passaram a ser extorquidos e pagar valores muito elevados de cobrança pelo empréstimo.

No pedido feito pelo delegado Fábio Peró, do Garras (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) é informado que a quebra do sigilo telefônico se faz necessária para o aprofundamento das investigações, sendo que o MPMS (Ministério Público Estadual) opinou pelo deferimento da quebra dos sigilos, sendo concedido no dia 18 de julho. 

Ainda foi feito pedido pela defesa da retirada da tornozeleira eletrônica de Reginaldo Freitas Rodrigues, alegando que a medida é excessiva, pois não há provas contundentes e inequívocas de que houve ameaça, violência às vítimas. Também foi alegado que Reginaldo realiza alguns trabalhos como segurança particular autônomo e trabalha como comissionado.

Mas, o pedido foi teve oposição do MPMS “não vislumbra a possibilidade de retirada da monitoração eletrônica, até mesmo porque, em uma detida análise dos fatos, a priori a conduta do requerente deve ser tida como grave”.

Ameaças feitas de ‘pendurar família’

Segundo os relatos dos sócios, em uma das reuniões que tiveram com Flávio Jamil Georges, o ‘Flavinho’ ainda em 2020, este teria dito que os empresários precisavam dar um jeito de pagar Patrick, que era uma pessoa muito ‘problemática’, sendo que os dois entraram em contato com Patrick para tentar a negociação dos valores que já ultrapassavam os R$ 281 mil.

Em uma das reuniões segundo a vítima, o coronel Ivan teria se apresentado como ‘Diogo’ e que seria advogado de Patrick sendo descoberto depois que na realidade se tratava do ex-comandante da PMMS. Já quando foi até a casa da vítima fazer a cobrança, o coronel Ivan teria dito, “vim aqui para pendurar você, pendurar sua filha e sua mulher”.

Eles queriam levar a camionete da vítima que estava na garagem como forma de pagamento da dívida dos sócios a Patrick. Um outro ‘cobrador’ que estava junto do coronel ainda teria dito, “você sabe o que acontece quando mexe com esse pessoal”. Patrick já havia dito anteriormente para a vítima, que “defunto também paga a conta”.

Extorsão

O coronel já havia participado de outra extorsão a vítima dias antes e uma segunda tentativa de extorsão nesta quarta (26), quando foi preso em flagrante pelo crime. A vítima tinha câmeras na casa e acabou filmando a extorsão praticada pelo coronel e pelo policial civil Reginaldo Freitas Rodrigues, fazendo a denúncia ao Garras e Gaeco.

Um terceiro envolvido já foi identificado e deve ser preso nos próximos dias. José Ivan é aposentado e recebe R$ 32 mil. Ele é apontado como braço armado do esquema de extorsão agindo com ameaças e coagindo as vítimas, que eram coagidas há pelo menos 1 ano.

Os empresários teriam feito um negócio com Patrick e teria sido gerada a dívida de R$ 80 mil. As vítimas foram cobradas, pagaram R$ 150 mil e continuaram sendo extorquidas. Atualmente, Patrick estaria cobrando mais de R$ 300 mil dos empresários, que acabaram levando o caso ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Durante a prisão do coronel, as equipes fizeram buscas na casa do militar, onde teria sido apreendido um revólver calibre 38. Na casa de Patrick também teriam sido apreendidas armas de fogo.

Jornal Midiamax