Polícia

Combate a contrabando não abala mercado de Xiaomi, mesmo no camelódromo de Campo Grande

Após a apreensão de 24 celulares com policiais militares que fizeram a fiscalização de um ônibus com os aparelhos contrabandeados do Paraguai, foi constatado que a maioria deles era da marca chinesa Xiaomi – 17 ao todo. Contudo, o combate ao contrabando na fronteira pelo Estado, principalmente na fronteira com o Paraguai, parece não influenciar […]

Danielle Errobidarte Publicado em 16/03/2021, às 14h45 - Atualizado em 17/03/2021, às 08h27

Foto: Midiamax, Arquivo
Foto: Midiamax, Arquivo - Foto: Midiamax, Arquivo

Após a apreensão de 24 celulares com policiais militares que fizeram a fiscalização de um ônibus com os aparelhos contrabandeados do Paraguai, foi constatado que a maioria deles era da marca chinesa Xiaomi – 17 ao todo. Contudo, o combate ao contrabando na fronteira pelo Estado, principalmente na fronteira com o Paraguai, parece não influenciar na escola dos modelos no maior comércio popular da Capital, o camelódromo.

A marca é majoritária. Tem até comerciante que deixa de vender outras marcas – como Motorola e Samsung – para apostar tudo no Xiaomi. A vantagem entre os vendedores é unânime: custo-benefício. Não que eles não admitam a origem ilícita do material, como em alguns relataram, a ‘troco’ de anonimato, ao Jornal Midiamax.

Apontado pelos próprios concorrentes como o proprietário da “maior banca de eletrônicos” do camelódromo, após 20 anos com lucro majoritário vindo de videogames, também se rendeu ao Xiaomi. O motivo não é especial: “tava todo mundo vendendo, resolvi vender também (sic)”.

A mercadoria, incluindo os Xiaomis, vêm de São Paulo ou de Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai e a Argentina. Ele é um dos poucos que, por vender em menor quantidade, busca os produtos em longas viagens de um estado à outro.

Se o cliente já chega com a preferência da marca, o desafio é convencê-lo de que o produto é verdadeiro. O vendedor garante que o modelo é importado pois a Xiaomi não tem fábrica no Brasil, e não porquê tem origem ilícita. “O Xiaomi compensa porque a tecnologia é igual a dos outros, tem a mesma função e iPhone e Samsung são mais caros”, completa o empresário, que preferiu não se identificar.

“Alguns passam, outros não. A gente continua vendendo”, diz um funcionário de outra banca, segundo ele “especializada” em Xiaomi, se referindo à importação do Brasil com Paraguai. Quando questionado sobre a origem dos modelos e se isso interfere na recepção por parte dos clientes, ele responde com tranquilidade. “O povo pergunta se é verdadeiro ou falso. Verdadeiro todos são, funciona direitinho”, ri o vendedor.

Logo no início, em uma das primeiras bancas, o grito dos vendedores também é um recurso para conquistar o cliente, em meio a tantos boxes. O vendedor garante que os dois modelos mais vendidos são o Xiaomi Redmi Note 8 e 9, mas ele consegue “o modelo que você quiser (sic)”. O destino do produto não interfere nas suas vendas. “A gente busca de qualquer lugar, se não vier do Paraguai a gente vai pra São Paulo e pega do mesmo jeito”, finaliza.

Em outro box, na extremidade oposta do camelódromo, uma funcionária também afirma que, se não fosse a importação, a popularidade do Xiaomi não seria tão alta. “Não compensa pedirmos direto da Xiaomi. Só tem uma loja no Brasil e fica em São Paulo. Se fosse comprar direto um aparelho que vendo a R$ 1200 teria que vender a R$ 3000”.

Conforme ela, as dúvidas dos clientes são no “pós-compra”. “As pessoas acham que o aparelho vai bloquear, vai dar problema com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e a única coisa que pedem é para testar o e-mail que precisa cadastrar”, afirma. Para ela, o custo benefício também faz da marca a mais popular no Brasil.

Jornal Midiamax