Polícia

Com caso em MS, assassinatos de filhos têm requinte de crueldade e vão contra 'lei natural'

Autoras geralmente apresentam distúrbio psicológico, diz especialista

Renan Nucci Publicado em 30/05/2021, às 13h30

Local onde Gabrielly foi enterrada vida pela mãe em MS
Local onde Gabrielly foi enterrada vida pela mãe em MS - Arquivo

Os assassinatos de Gael de Freitas Nunes, de 3 anos, ocorrido em São Paulo, Bryan da Silva Otani, de 4 meses, no Mato Grosso, e Gabrielly Magalhães de Souza, de 10 anos, ocorrido em Mato Grosso do Sul, têm algo em comum. Em todos os casos, as vítimas foram mortas pelas mães, com requintes de crueldade e com vestígios de transtornos mentais não diagnosticados. 

Segundo o psicólogo Ezequiel de Almeida, que faz parte do Conselho Municipal dos Direitos Humanos de Campo Grande e atua em tratamentos de dependência química, o infanticídio, nos contextos acima citados, chocam a socidade, pois vão na contramão da ‘lei natural’ da maternidade, a qual entende-se que uma mãe é capaz de qualquer coisa para proteger um filho.

“Quem chega ao ponto de cometer um crime desses com certeza tem algum distúrbio psicológico ou alguma patologia que ainda não foi diagnosticada e muito menos tratada”, explica. O especialista aponta que geralmente, essas mulheres geralmente são sociopatas, ou seja, apresentam personalidade antissocial, não demonstram empatia e costumam agir impulsivamente.

“Quando aparentam sentir algo, na maioria das vezes não é uma culpa honesta”, aponta Ezequiel. Tais indivíduos precisam de tratamento e alguns sintomas podem ser percebidos desde a infância. “Mentem excessivamente, por qualquer motivo banal, não respeitam leis e normas sociais, se comportam de forma agressiva e explodem quando contrariadas e não conseguem ser responsáveis”.

Ele ressalta ainda outras características como: culpa e remorso não genuínos, senso de superioridade, alterações do humor, capacidade de manipular os demais através de mentiras e ameaças, assumem risco, mas sempre culpam outras pessoas pelos erros e apresentam opinião forte. “Também é possível relacionar o histórico de consumo de drogas e álcool”, pontua o psicólogo.

Ainda conforme Ezequiel, quanto mais cedo forem detectados sintomas pelos pais, professores ou responsáveis, por exemplo, melhor será o resultado do tratamento. “Cada pessoa tem um caso específico, mas os tratamentos consistem em terapia e farmacoterapia prescrita por psiquiatra. É preciso haver acompanhamento constante para que não haja risco ao convívio social”.

Crimes

Em março do ano passado, Emileide Magalhães, de 30 anos, foi presa por matar a filha Gabrielly em Brasilândia, município distante 382 quilômetros de Campo Grande. A vítima foi estrangulada e enterrada viva pela mãe, depois de contar que vinha sendo estuprada pelo padrasto. Emileide teria cometido o crime por ciúmes do marido e obrigou o filho mais velho a ajudá-la na ação.

Ramira Gomes da Silva, de 22 anos, foi presa por matar o filho Bryan em Sorriso (MT), no último dia 14. Ela asfixiou o bebê com um travesseiro e depois o mutilou, arrancando as pernas e braços. Os membros foram colocados dentro de uma caixa de leite e jogados no lixo. O restante do corpo foi enterrado. Ela teria matado a criança para poder continuar um relacionamento amoroso.

No último dia 10 deste mês, em São Paulo, Gael foi morto e a mãe, de 37 anos, presa como principal suspeita do crime. Ela teria asfixiado o garoto de 3 anos que, quando foi encontrado, apresentava sinais de tortura. A mulher tentou se matar em seguida, ingerindo produtos de limpeza. No entanto, foi presa, indiciado pelo assassinato e ainda teve a prisão preventiva decretada.

Jornal Midiamax