Polícia

Autor de homicídio na Vila Margarida se entrega à Polícia e diz ter ‘mirado no rosto’

Ele foi interrogado e afirmou ter atirado a menos de um metro

Danielle Errobidarte Publicado em 14/04/2021, às 17h15

Autor apresentou arma usada no homicídio.
Autor apresentou arma usada no homicídio. - (Foto: Divulgação)

O autor do assassinato de Cristiano Mendes Rodrigues, de 30 anos, morto com dois tiros na noite de sábado (10), se entregou à Polícia na tarde desta quarta-feira (14), na 3ª Delegacia da Capital. Junto ao advogado, o rapaz de 25 anos entregou a arma utilizada no crime e disse ter “mirado no rosto, a menos de um metro da vítima”, e que só não atirou mais porque estava "apenas" com duas munições.

Segundo o delegado Ricardo Meirelles, responsável pelas investigações, o autor foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. “Segundo o que ele nos relatou, houve uma discussão entre o autor e o irmão tiveram com a vítima no período da tarde, e a noite ele foi na residência tirar satisfação, onde efetuou dois disparos a queima roupa, e disse só não ter feito outros por não ter mais munição”, explica.

O autor ainda explicou sobre o dia do crime, relatando ter ido até a casa da vítima, onde conversaram por alguns minutos. Com a arma escondida em seu bolso, em determinado momento, houve xingamentos e ele decidiu atirar. A esposa de Cristiano e outras testemunhas que estavam próximas viram a cena.

Meirelles ainda explica que o autor foi interrogado e liberado, uma vez que não se aplicava mais o flagrante. Ainda será investigada a participação de uma segunda pessoa, um homem que é apontado por testemunhas como o piloto da motocicleta na qual o autor teria fugido em seguida. “Não descartamos a possibilidade de prisão dos dois, vai depender do que for apurado e do que coletarmos nessa reta final”, afirma o delegado.

O crime

Inicialmente, considerou-se a hipótese do assassinato ter ocorrido devido a mensagens no celular da namorada de Cristiano. Ele teria visto conversas no aparelho dela, a questionado e procurado pelo responsável, momento em que houve a discussão.

Segundo a ex-cunhada da vítima, Cristiano discutiu com um rapaz, o chamando de corno, enquanto ambos soltavam pipas no bairro. Eles foram embora, mas continuaram o bate-boca por mensagens no celular. O irmão deste rapaz teria descoberto a desavença, decidiu tirar satisfações com Cristiano e foi até a casa da vítima, passando de moto em frente ao local.

Sofrimento

Aos 64 anos, a mãe da vítima perdeu o segundo filho em pouco tempo. Poucos dias depois de ver a filha de 37 anos falecer após seis anos de luta contra o câncer, a dona de casa pressentiu o assassinato do filho Cristiano Mendes Rodrigues, de 30 anos, morto a tiros na noite deste sábado (10), na Vila Margarida. 

A idosa disse ao Midiamaxque já estava “percebendo algo de ruim” ao longo do dia, tanto que por conta desse desconforto, não conseguiu preparar o almoço, como de costume. “Parece que foi um pressentimento de mãe”, lamenta. O detalhe é que neste domingo (11) seria realizada a missa de sétimo dia da filha. “Só Deus para me dar forças agora”, suplicou.

Maria Auxiliadora lembra que ao ouvir o primeiro tiro, viu o filho saindo de casa. Quando percebeu que a moto estava voltando, constatou que o que mais temia iria acontecer. “Vão matar meu filho, eu senti”. Ela disse ainda que antes do assassinato, Cristiano tinha bebido e estava chorando, segurando uma camiseta feita em homenagem à irmã. “Minha filha lutou por seis anos [contra o câncer], e agora tem mais isso”. finalizou.

Jornal Midiamax