Polícia

Após recurso, júri popular de delegado que matou boliviano em ambulância é reagendado

Ele também responde por ameaças a colegas

Renata Portela Publicado em 03/05/2021, às 17h48

Delegado Fernando no dia em que foi preso
Delegado Fernando no dia em que foi preso - (Foto: Diário Corumbaense)

Nesta segunda-feira (3), foi redefinida data pra o julgamento do delegado Fernando Araújo da Cruz Junior, acusado do homicídio do boliviano Alfredo Rangel Weber, em fevereiro de 2019. Inicialmente houve determinação para que o júri popular fosse realizado até 30 de abril, mas coube recurso e adiamento, com nova data marcada para 23 de junho.

Fernando, que ainda integra o quadro de delegados da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, responde pelo homicídio do boliviano e também por ameaçar investigador e delegadoque teriam participado das investigações. Apesar das tentativas de liberdade, o delegado continua preso em Campo Grande, em cela da 3ª Delegacia.

Relembre o caso

O boliviano Alfredo Rangel Weber foi esfaqueado em uma festa em 23 de fevereiro de 2019 e depois socorrido, sendo levado de ambulância para Corumbá. Conforme apurado pela polícia, o delegado interceptou a ambulância e o matou a tiros antes de chegar ao hospital. Mas Fernando, achando que não havia testemunhas do crime, foi pego de surpresa quando foi informado pelo investigador Emmanuel Contis de que a irmã da vítima estava na ambulância e viu o assassinato.

Em meio a toda a trama do homicídio, testemunhas foram coagidas sendo uma delas o motorista da ambulância, que teve como advogada a mulher de Fernando. No entanto, o que o casal não esperava era que policiais bolivianos e até um promotor usassem de chantagem para extorquir os dois, com pedido de R$ 100 mil para que não implicassem o delegado ao assassinato.

Na tentativa de encobrir os rastros do crime, até execuções dos policiais e delegados que estavam investigando o caso foram arquitetadas por Fernando e Emmanuel, que informava ao delegado todos os passos das investigações.

Fernando e Emmanuel foram presos em 29 de março daquele ano, em ação da DEH (Delegacia Especializada de Homicídios) e Garras (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros). A nova denúncia de ameaças foi registrada em setembro de 2020, com o delegado já preso.

Segundo as vítimas, mesmo detido ele teria tentado ordenar a execução dos colegas de trabalho. O caso segue em investigação e serão realizadas audiências.

Jornal Midiamax