Polícia

Preso por homicídio, delegado de MS é acusado de planejar novamente a morte de colegas

Atualmente preso e aguardando julgamento por homicídio qualificado e outros dois crimes, delegado de Polícia Civil Fernando Araújo da Cruz Júnior é acusado também de ameaça. O fato teria ocorrido em meados de setembro de 2020 e a acusação aponta que ele estaria arquitetando a execução de colegas de profissão. No dia 24 de setembro […]

Renata Portela Publicado em 16/03/2021, às 17h21 - Atualizado em 17/03/2021, às 08h47

Delegado foi preso em Corumbá, em 2019 (Foto: Diário Corumbaense)
Delegado foi preso em Corumbá, em 2019 (Foto: Diário Corumbaense) - Delegado foi preso em Corumbá, em 2019 (Foto: Diário Corumbaense)

Atualmente preso e aguardando julgamento por homicídio qualificado e outros dois crimes, delegado de Polícia Civil Fernando Araújo da Cruz Júnior é acusado também de ameaça. O fato teria ocorrido em meados de setembro de 2020 e a acusação aponta que ele estaria arquitetando a execução de colegas de profissão.

No dia 24 de setembro de 2020, um investigador registrou boletim de ocorrência contra Fernando. No relato, ele contou que conversou com um conhecido em Corumbá, que o alertou, dizendo que ele corria risco de morte. Esta testemunha teria dito na conversa que recebeu uma ligação do delegado Fernando, de dentro da cela da 3ª Delegacia em Campo Grande, onde está detido atualmente.

Na ligação, o delegado teria pedido para ‘dar guarida’, dar abrigo a dois pistoleiros que iriam de Ponta Porã até o município. Ele então teria revelado que arquitetava a morte do investigador e também de um delegado de Mato Grosso do Sul (as vítimas não terão os nomes informados).

Ainda segundo o investigador, a testemunha teria dito que não aceitou o pedido do delegado Fernando e que ele então afirmou que “daria outro jeito”. Pouco tempo depois, um outro conhecido teria alertado a mesma situação para o investigador, dizendo que ele corria risco de execução, bem como o delegado e as respectivas famílias.

Por fim, o investigador contou que recebeu ligação de um informante, confirmando que o delegado Fernando tinha colocado “a cabeça dele e do delegado a prêmio”, contratando pistoleiros para executarem o crime. Isso, porque o delegado Fernando estaria alegando que eles estavam envolvidos na prisão.

Foi elaborado um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) e após as partes envolvidas prestarem depoimento, o delegado Fernando foi ouvido na 3ª DP. Ele foi informado sobre o TCO e negou os fatos, dizendo que nunca planejou ou teve interesse na morte das vítimas. Além disso, disse querer instaurar procedimento por denunciação caluniosa.

Durante o procedimento, o delegado que teria sido ameaçado de morte chegou a fazer pedido de providências para a Diretoria da Polícia Civil. Ele revelou que a esposa relatou durante uma ligação que percebeu que foi seguida por um veículo, pouco tempo após o registro do boletim de ocorrência pelo investigador.

Ainda em 2019, durante as investigações do homicídio e antes da prisão do delegado Fernando, ele já havia cogitado a execução de policiais. Fernando é acusado de exercício arbitrário das próprias razões, favorecimento pessoal e homicídio por motivo torpe e mediante traição ou emboscada ou recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido.

Ele deve ser julgado até o dia 30 de abril.

Relembre o caso

O boliviano Alfredo Rangel Weber foi esfaqueado em uma festa em 23 de fevereiro de 2019 e depois socorrido, sendo levado de ambulância para Corumbá. Conforme apurado pela polícia, o delegado interceptou a ambulância e o matou a tiros antes de chegar ao hospital. Mas Fernando, achando que não havia testemunhas do crime, foi pego de surpresa quando foi informado pelo investigador Emmanuel Contis de que a irmã da vítima estava na ambulância e viu o assassinato.

Em meio a toda a trama do homicídio, testemunhas foram coagidas sendo uma delas o motorista da ambulância, que teve como advogada a mulher de Fernando. No entanto, o que o casal não esperava era que policiais bolivianos e até um promotor usassem de chantagem para extorquir os dois, com pedido de R$ 100 mil para que não implicassem o delegado ao assassinato.

Na tentativa de encobrir os rastros do crime, até execuções dos policiais e delegados que estavam investigando o caso foram arquitetadas por Fernando e Emmanuel, que informava ao delegado todos os passos das investigações.

Fernando e Emmanuel foram presos em 29 de março, em ação da DEH (Delegacia Especializada de Homicídios) e Garras (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros).

Jornal Midiamax