Polícia

Após fiança, presos em flagrante na Operação Mamon são liberados em Corumbá

Presos por posse ilegal de arma de fogo pagaram quase R$ 100 mil em fianças

Guilherme Cavalcante e Thatiana Melo Publicado em 30/04/2021, às 11h30

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Foto ilustrativa | Divulgação | Polícia Federal

Já estão em liberdade três homens presos em flagrante por posse ilegal de arma de fogo durante cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Momon, na última quinta-feira (30), em Corumbá, a cerca de 425km de Campo Grande.

Conforme apurado pela reportagem, foram presos o empresário Guilherme Regenold Neto; o comerciante Dionízio Dias Bezerra; e o autônomo Ioneide Nogueira Martins. Os três foram liberados após pagamento de fianças que, somados, resultam em quase R$ 100 mil.

No caso de Guilherme, ele foi preso após os agentes de Polícia Federal encontrarem uma arma de fogo calibre 38 em um cofre no quarto de hospedes e mais 5 projéteis, além de uma caia de munição no quarto co casal, com mais 31 projéteis - 8 de calibre .357 e o restante calibre .38.

Às autoridades, Guilherme afirmou que possuiria a arma há cerca de dez anos e que o item seria mantido no cofre. Ele afirmou que não se lembra de quem a vendeu. Após o pagamento de R$ 35 mil, ele foi colocado em liberdade.

Dionízio Dias Bezerra foi liberado após pagar R$ 1,1 mil. Em sua residência, foram apreendidas mídias digitais, um veículo S-10 avaliado em R$ 80 mil e celulares, além de um revólver calibre 38 municiado e 5 cartuchos em um cofre. Ele já havia sido preso e processado por dirigir embriagado.

Por fim, Ioneide Nogueira Martins, que responde a processo por cobrança indevida de juros em empréstimo privado e por envolvimento com menor de idade, foi liberado após pagar R$ 55 mil em fiança.

Em sua residência, a Polícia Federal encontrou, oculto em um banheiro, uma pistola glock com 9 munições, sem registro, além de uma arma municiada com 2 cartuchos. Ioneide afirmou que seria autônomo e que atuaria no ramo da compra e venda de carros e que teria renda aproximada de R$ 3 mil mensais. Às autoridades, ele teria afirmado que não regularizou a arma após conselho de um advogado, devido às acusações a que responde.
14h30

R$ 1,7 milhão em apreensões

A Operação Mamon, deflagrada pela Polícia Federal contra organização criminosa que atuava com lavagem de dinheiro na quinta-feira (29), apreendeu 10 veículos de luxo só em Corumbá. Também foram apreendidas armas e dinheiro, somando aproximadamente R$ 1.720.000.

Conforme a PF, foram apreendidos R$ 67.331 em espécie, além de armas de fogo e os 10 veículos de luxo. A lista divulgada aponta que foram recolhidos veículos dos modelos Audi A1, Audi A3, Audi A5 conversível, três Chevrolet S10, um Corolla, um Ford Mustang, uma Amarok e um Porsche Boxter.

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Veículos apreendidos pela PF na Operação mamon | Foto: Divulgação | Polícia Federal

A conclusão do inquérito da PF apontou que quatro empresas de fachada seriam utilizadas para lavar o dinheiro de origem ilícita. Além delas, “laranjas” também seriam usados para camuflar a origem dos valores, em esquema que envolveria até operadoras de crédito e o sistema bancário.

Segundo o titular do DRCOR (Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado), delegado Leonardo Nogueira Rafaini, a apreensão de bens é uma diretriz que a PF vem adotando nos últimos anos no combate aos crimes de tráfico, através da descapitalização financeira das organizações e prisão de seus líderes.

Ao todo foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Corumbá, Belo Horizonte (MG) e Quinta do Sol (PR). Também foi realizado sequestro de 4 imóveis e 61 veículos, avaliados em aproximadamente R$ 8 milhões. A ordem judicial ainda determinou a suspensão das atividades econômicas das 4 empresas de fachada e bloqueio de contas bancárias.

Ostentação

Conforme a PF, o grupo criminoso ostenta um elevado padrão de vida e se vale de um complexo esquema de lavagem de dinheiro, que envolve o sistema bancário, operadoras de crédito, cheques, compra e venda de veículos e transação em espécie. Em 2020 os criminosos teriam movimentado mais de R$ 20 milhões.

Mamon é transliteração da palavra hebraica Mamom, a qual significa dinheiro ou riquezas. O termo é popular em estudos bíblicos, os quais personificam Mammon como um dos sete príncipes do inferno, associado ao pecado capital da ganância. Segundo a teoria, aqueles que praticam ilícitos com o fim de acumular bens e ostentá-los, a exemplo do que fazem estes investigados, são ditos servos de Mammon.

Jornal Midiamax