Polícia

Após ficar 10 anos foragido, aliado de Minotauro do PCC tenta extinguir condenação

Ele foi preso nas fase de investigações da Operação Além-Mar

Renata Portela e Guilherme Cavalcante Publicado em 13/04/2021, às 14h06

Droga apreendida durante a operação em 2020
Droga apreendida durante a operação em 2020 - (Divulgação, PF)

Na segunda-feira (12), Romilton Queiroz Hosi teve pedido de habeas corpus negado na 3ª Vara Federal de Campo Grande, em que tentava extinção de punibilidade de uma condenação. Depois de ficar foragido por 10 anos, o réu foi preso nas investigações que precederam a Operação Além-Mar em 2020, ação de combate a esquema de tráfico internacional de drogas comandado por Sergio de Arruda Quintiliano, o Minotauro do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Conforme a decisão do juiz federal Bruno Cezar da Cunha Teixeira, o pedido da defesa de Romilton foi pela extinção de punibilidade uma vez que a sentença já teria prescrito. No entanto, o magistrado pontuou que o réu foi condenado a 6 anos e 6 meses em regime inicial fechado e também a pagamento de multa, sendo que a sentença transitou em julgado em março de 2006.

Com isso, deveria prescrever em 2018. No entanto, em setembro de 2011 o réu praticou novo crime, de tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de arma de fogo. Com isso, o fato alterou o marco interruptivo da prescrição e essa passou a ser datada de setembro de 2023.

Pela reincidência, a sentença ainda não prescreveu, por isso o pedido de habeas corpus não foi acolhido.

Operação Além-Mar

As ações e investigações que aconteceram por 3 anos, miram em grande esquema de tráfico internacional de cocaína esquematizado por Minotauro. A princípio, a cocaína originalmente vinda da Bolívia era armazenada no Paraguai, em Amambay. Resultado das investigações foi a Operação Além-Mar, da Polícia Federal, em agosto de 2020.

Segundo a PF, do Paraguai a droga entrava no Brasil através da fronteira com Mato Grosso do Sul e por meio de aeronaves chegava aos portos, principalmente no Rio Grande do Norte. De lá, era levada para a Europa.

Durante a fase sigilosa das investigações foram presas 12 pessoas e apreendidas mais de 11 toneladas de cocaína, no Brasil e na Europa, relacionados ao esquema criminoso. Dentre esses presos estava Romilton Queiroz Hosi, que permaneceu foragido da justiça brasileira por 10 anos e era procurado pela Polícia Federal e pela NCA (National Crime Agency), do Reino Unido.

Na operação seriam cumpridos 189 mandados, sendo 50 de prisão (20 preventivas e 30 temporárias) e 139 de busca e apreensão. Todos os mandados foram expedidos pela 4ª Vara Federal – Seção Judiciária de Pernambuco e cumpridos em 12 estados, mais Distrito Federal. São eles Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo.

Também foi determinado pela Justiça Federal o sequestro de 7 aviões, 5 helicópteros, 42 caminhões e 35 imóveis urbanos e também fazendas. Além disso também foi feito o bloqueio judicial do valor de R$100.000.000,00.

Jornal Midiamax