Polícia

‘A gente nunca está preparada para perder um filho’, diz mãe de campo-grandense morto no AM

Se estivesse lá teria morrido porque não iria deixar levar meu filho, fala a dona de casa

Thatiana Melo Publicado em 16/09/2021, às 09h26

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(Reprodução)

Com a voz embargada e cansada, a dona de casa, Maria Gomes, de 41 anos, falou sobre a dor de perder o filho, Diego Gomes Trindade, de 22 anos, que foi assassinado e esquartejado, tendo partes do corpo colocados em sacos de lixo.

Dona Maria disse que quando soube da morte do filho foi a pior notícia da vida dela. "A gente se prepara para o nascimento, mas nunca para a partida. Uma mãe nuca está preparada", disse Maria. Ela ainda relatou que o filho já iria voltar para Campo Grande, no dia 20 deste mês, e que estava com passagem comprada.

A dona de casa relatou que Diego foi convidado pelo padrasto que ele chamava de pai para trabalhar em Manaus. Ainda segundo Maria, o filho trabalhava na Capital como pedreiro e foi para Manaus para ‘levantar’ dinheiro para voltar para Campo Grande. “Ele era trabalhador, pagava suas contas”, disse dona Maria.

Apesar de ter uma tatuagem de palhaço no pescoço, comum para membros de gangues e facções criminosas, a mãe de Diego afirmou que ele não fazia parte de facção. Sobre o corpo do filho ser enterrado em Manaus, a dona de casa disse que preferiu que fosse dessa forma para tentar atenuar o seu sofrimento, “o corpo da gente não vale nada, o que vale é o espírito”.

Diego não tinha passagens por tráfico, roubo ou homicídio.

Levado de casa

Informações obtidas pelo Jornal Midiamax são de que o trio armado entrou na casa por volta das 22 horas de domingo e Diego já estava deitado na cama após jantar. Na residência, estavam o padrasto, o irmão de Diego e a cunhada.

Os homens chegaram perguntando: “cadê o rapaz com tatuagem de palhaço no pescoço?”. Todos estavam assustados achando que se tratava de um assalto. O irmão de Diego chegou a dizer que não havia na casa ninguém com aquelas características. 

Mas os criminosos passaram a procurar pelos quartos da casa, onde encontraram Diego na cama. Ele tentou lutar para não ser levado. O irmão da vítima ainda teria dito “ele nem é daqui”, quando um dos bandidos respondeu para que ficasse quieto, senão ele morreria também. 

Segundo detalhes dos relatos passados aos policiais, Diego foi arrastado para fora da casa chorando e colocado dentro do carro dos criminosos. Pedaços do corpo do rapaz foram encontrados por populares em sacos de lixo pela cidade de Manaus. 

Uma moradora na região do Bairro Parque Riachuelo relatou que percebeu os sacos de lixo na segunda-feira, com forte cheiro, mas não desconfiou que fosse uma pessoa. Só na manhã de quarta-feira (15) ela viu uma mão em um dos sacos e chamou a Polícia Militar. O caso é investigado. 

Jornal Midiamax