Polícia

Onças resgatadas de incêndio no Pantanal foram baleadas e Polícia Civil investiga o caso

A Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista) investiga a origem dos disparos que atingiram duas onças resgatadas por voluntários no dia 4 de novembro, na região pantaneira incendiada na Serra do Amolar. Os animais estavam gravemente feridos e um deles morreu horas depois do atendimento.  De acordo com […]

Renan Nucci Publicado em 13/11/2020, às 15h35 - Atualizado às 15h38

Imagem mostra projétil no corpo da onça que sobreviveu. Foto: Reprodução
Imagem mostra projétil no corpo da onça que sobreviveu. Foto: Reprodução - Imagem mostra projétil no corpo da onça que sobreviveu. Foto: Reprodução
Onças resgatadas de incêndio no Pantanal foram baleadas e Polícia Civil investiga o caso
Projétil retirado da onça que morreu. Foto: Imasul

A Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista) investiga a origem dos disparos que atingiram duas onças resgatadas por voluntários no dia 4 de novembro, na região pantaneira incendiada na Serra do Amolar. Os animais estavam gravemente feridos e um deles morreu horas depois do atendimento. 

De acordo com o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), necropsia realizada no Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em Campo Grande, constatou projétil de arma de fogo alojado no tórax da onça que morreu. O veterinário Lucas Cazati, responsável técnico do Imasul,  afirmou que o tiro não foi recente.  “Deve ter ocorrido há uns três meses.” 

No entanto, o ferimento pode ter contribuído para a morte do animal, que já apresentava função pulmonar debilitada. “A pele rebatida mostra musculatura esquelética também vermelho-escurecida, com lesão nodular de coloração pardacenta e firme ao corte. Aberta, mostra presença de projetil de grosso calibre, envolto por tecido granulomatoso sem hemorragia. Observa ainda em lobo cranial direito presença de estilhaço de projétil acima mencionado”, escreveu o professor doutor Gilberto Facco, que assina o exame de necropsia.

Da mesma forma, exame de raio-X feito na onça sobrevivente mostra a presença de uma bala na região torácica. “Trata-se de um projétil de pequeno porte e o ferimento deve ter ocorrido já há alguns meses, pois a pele está completamente cicatrizada”, afirma Lucas. Ele avalia a necessidade de proceder a uma cirurgia para retirar o metal.

Este animal está com quadro de saúde estável, alimenta-se bem, já passou por exames de ultrassom, raio-X, hemograma completo, avaliação das funções hepática e renal, e os ferimentos nas patas causados no incêndio apresentam melhora. Havendo a necessidade da cirurgia para retirada da bala, essa onça deve permanecer ainda por três meses no Cras até se recuperar completamente.

O diretor-presidente do Imasul, André Borges, procurou a Decat para registrar boletim de ocorrência após descoberta dos disparos. “Entendemos que é preciso investigar, procurar identificar os responsáveis e punir”, afirmou Borges.

O delegado Maércio Alves Barbosa disse que já encaminhou o projétil retirado para o Instituto de Criminalística, a fim de determinar o calibre e o tipo de arma que fez o disparo. Com essas informações a Polícia vai instaurar um inquérito e pode fazer diligências na região para tentar identificar os culpados.

As onças foram resgatadas próximas ao rio Paraguai, na região da Serra do Amolar, em condições precárias, sendo que uma não conseguia andar. O transporte a Campo Grande foi feito numa aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira). Eram dois machos com menos de dois anos de idade.

Onças resgatadas de incêndio no Pantanal foram baleadas e Polícia Civil investiga o caso
Onça resgatada no dia 4 de novembro de incêndio no Pantanal. Foto: Divulgação

Jornal Midiamax