Polícia

Motoentregadores protestam em condomínio após colega ser chamado de ‘preto e enrolado’

Cerca de 30 motoentregadores protestaram, na manhã desta sexta-feira (30), em frente ao Condomínio Spazio Classique, na Rua 14 de Julho, no Bairro São Francisco, em Campo Grande. Na tarde de ontem, um motoentregador foi vítima de racismo ao chegar com o pedido e ouvir “além de preto é enrolado” do cliente. Os trabalhadores fizeram […]

Gabriel Maymone Publicado em 30/10/2020, às 11h42 - Atualizado em 31/10/2020, às 08h40

(Fotos: Henrique Arakaki)
(Fotos: Henrique Arakaki) - (Fotos: Henrique Arakaki)

Cerca de 30 motoentregadores protestaram, na manhã desta sexta-feira (30), em frente ao Condomínio Spazio Classique, na Rua 14 de Julho, no Bairro São Francisco, em Campo Grande. Na tarde de ontem, um motoentregador foi vítima de racismo ao chegar com o pedido e ouvir “além de preto é enrolado” do cliente.

Os trabalhadores fizeram buzinaço e protestaram com gritos como “racistas não passarão”. O autor do racismo estava no condomínio, mas não saiu do apartamento.

O motoentregador de 29 anos que sofreu as ofensas esteve no local e disse ao Jornal Midiamax que ficou em choque. “Me senti ofendido, nunca tinha acontecido um caso desse tipo comigo”, declarou.

Colega de profissão, Lucas Sampaio, 25 anos, disse que não imaginava que esse tipo de ofensa ainda possa acontecer. “Estamos no século 21, todo mundo sabe que racismo é crime, isso não é legal”, exclamou.

Motoentregadores protestam em condomínio após colega ser chamado de ‘preto e enrolado’
Motoentregadores protestaram com gritos de ‘racistas não passarão’. (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

O motoentregador explica que nem sempre a culpa pelo atraso é deles. “As pessoas não entendem, acham que a gente enrola, mas isso não é bom, pois perdemos dinheiro. Muitas vezes o atraso é do restaurante, fura um pneu ou o trânsito”, disse Lucas, afirmando que nunca passou por situação assim, mas muitas vezes “a gente chega e o cliente te olha de cima para baixo”.

O sindico do condomínio, Reginaldo da Silva, 39, disse que o residencial vai colaborar com as investigações da Polícia Civil. “Comprovado o racismo, o condomínio vai tomar atitudes administrativas, que são as que o regimento interno prevê”, declarou sem citar quais seriam as sanções.

O motoentregador vítima das ofensas registrou boletim de ocorrência por injúria racial na Polícia Civil, que investiga o caso.

Jornal Midiamax