Polícia

‘Interesse político’, diz ex-prefeito investigado por coagir vítima de estupro

Por meio de nota nas redes sociais, Sidney Foroni, advogado e ex-prefeito de Rio Brilhante, município distante 158 quilômetros de Campo Grande, negou que tenha coagido vítima de estupro de um cliente e afirma que está sendo alvo de perseguição política. Durante operação na quarta-feira (05), a Polícia Civil apreendeu celulares e computadores na casa […]

Renan Nucci Publicado em 06/08/2020, às 15h37 - Atualizado em 07/08/2020, às 08h54

Ex-prefeito de Rio Brilhante e advogado Sidney Foroni. Foto: Facebook
Ex-prefeito de Rio Brilhante e advogado Sidney Foroni. Foto: Facebook - Ex-prefeito de Rio Brilhante e advogado Sidney Foroni. Foto: Facebook

Por meio de nota nas redes sociais, Sidney Foroni, advogado e ex-prefeito de Rio Brilhante, município distante 158 quilômetros de Campo Grande, negou que tenha coagido vítima de estupro de um cliente e afirma que está sendo alvo de perseguição política. Durante operação na quarta-feira (05), a Polícia Civil apreendeu celulares e computadores na casa e no escritório dele.

Foroni alega que o caso foi divulgado na tentativa de tentar prejudicar sua imagem, tendo em vista que as eleições estão se aproximando e tal situação pode se explorada de forma negativa. Ele é amigo e advoga em defesa de Gilson Pires de Matos, que responde por outros crimes além da violência sexual. A suspeita é de que Foroni tenha ameaçado a vítima, para que ela retirasse a queixa.

“Nesse caso em específico, esclareço que sou advogado de um amigo, Gilson Pires de Matos, que como todos sabem, é acusado de ter praticado alguns crimes, já amplamente divulgados nas mídias sociais  (sequestro, cárcere privado, estupro e violência doméstica), dos quais ele nega ter praticado os crimes de sequestro, cárcere privado, estupro, assumindo que realmente teve um desentendimento com sua namorada que terminou em vias de fato, sendo que após o registro do Boletim de Ocorrências”, afirma.

Além disso, Foroni aponta em sua versão que a vítima retirou por conta própria a denúncia contra Gilson pelos crimes de lesão corporal e ameaça. Tal pedido foi encaminhado à Polícia Civil e, posteriormente, a vítima relatou que havia sido coagida. Diante de tal suspeita, a autoridade policial representou pela busca e apreensão de dispositivos em busca de conversas que possam comprovar ou não se a mulher foi ameaçada.

Conforme já noticiado, o cliente de Foroni está foragido desde julho quando aconteceu o estupro, sendo que após o crime o autor, acompanhado do filho e de Foroni, teria ido até a casa da vítima, onde eles a coagiram, mediante ameaça de arma de fogo, a assinar um papel desmentindo que foi estuprada.

“A busca foi realizada de forma respeitosa e educada, e tenho plena certeza que as mensagens e documentos encontrados irão demonstrar que não tivemos qualquer influência na decisão da vítima, e que ela foi devidamente alertada de que ela poderia responder por crime de falsa comunicação de crime e denunciação caluniosa, e que era um direito dela se retratar e desistir de processar o acusado pelo crime de violência doméstica e que em relação aos demais crimes (sequestro, cárcere privado e estupro), ela não tinha poderes para desistir porque são crimes de ação penal pública e que o processo seguiria adiante em relação aos mesmos e que a violência doméstica seria arquivada”, pontuou.

Confira a nota na íntegra

Boa noite meus amigos,

Conforme prometi, darei as minhas explicações sobre esses fatos amplamente noticiados nas mídias, meramente com interesse político, na tentativa de denegrir a minha imagem pessoal, profissional e política, pois as eleições estão se aproximando e qualquer fato negativo é explorado politicamente.

Pois bem, como todos sabem, sou advogado e milito muito na área criminal há 33 anos, desde  1.989,  e como todos também sabem, ao longo de meus 33 anos de exercício advocacia sempre tive uma conduta profissional digna de minha profissão, tendo sempre primado pela ética e pelo respeito às leis.

Nesse caso em específico, esclareço que sou advogado de um amigo, Gilson Pires de Matos, que como todos sabem, é acusado de ter praticado alguns crimes, já amplamente divulgados nas mídias sociais  (sequestro, cárcere privado, estupro e violência doméstica), dos quais ele nega ter praticado os crimes de sequestro, cárcere privado, estupro, assumindo que realmente teve um desentendimento com sua namorada que terminou em vias de fato, sendo que após o registro do Boletim de Ocorrências (B.O.), a vítima, em conjunto  de sua advogada, Dra. Maria Tereza Arruda Ferro da Silva, uma das advogadas mais antigas e respeitadas da nossa cidade pela sua seriedade e competência, com mais de 40 anos de advocacia,  pessoa de conduta irrepreensível e ilibada, com alto grau de respeito em nossa cidade, assinaram um pedido de desistência e renúncia de queixa contra o acusado em relação aos crimes de violência doméstica (lesão corporal e ameaça), ou seja, a vítima desistiu de processar o suposto agressor e o pedido foi encaminhado ao delegado, e posteriormente esse pedido foi colocado sob suspeita pelo delegado, e depois a vítima novamente voltou atrás e disse que assinou de forma pressionada tal documento, o que duvido muito em virtude da credibilidade da Dra. Maria Tereza, e pelas conversas via WatsApp que tive com essa moça, tudo arquivado, vão demonstrar que as minhas palavras retratam a verdade.

No intuito de tentar demonstrar que essa moça agiu sob pressão, e que os advogados estivessem agindo com patrocínio simultâneo para beneficiar o acusado, achando que no celular dos advogados poderiam ter mensagens e documentos que pudessem comprovar que a vítima foi coagida e ameaçada, e tentando encontrar qualquer objeto ilícito como armas, etc., solicitou e fez uma busca e apreensão de nossos celulares e computadores, todos já devolvidos.

A Busca foi realizada de forma respeitosa e educada, e tenho plena certeza que as mensagens e documentos encontrados irão demonstrar que não tivemos qualquer influência na decisão da vítima, e que ela foi devidamente alertada de que ela poderia responder por crime de falsa comunicação de crime e denunciação caluniosa, e que era um direito dela se retratar e desistir de processar o acusado pelo crime de violência doméstica e que em relação aos demais crimes (sequestro, cárcere privado e estupro), ela não tinha poderes para desistir porque são crimes de ação penal pública e que o processo seguiria adiante em relação aos mesmos e que a violência doméstica seria arquivada.

Fiz esse relato para melhor compreensão de todos, e como advogado tenho consciência de que agi dentro do mais absoluto direito ao exercício da advocacia, dentro dos limites éticos da minha profissão.

Só oque me espanta e me assusta, é “como e porque”, antes mesmo da operação ser concluída, uma operação que deveria ser sigilosa por sua própria natureza, o repórter Olimar Gamarra já estava sabendo a respeito da mesma e aguardando em frente à Delegacia de Polícia e divulgando o assunto como se tivesse uma bola de cristal, e essa resposta cabe às autoridades, que deverão investigar e punir aqueles que querem mídia gratuita, “porventura vazando informações sigilosas” à imprensa sem se preocupar com o respeito às leis que deveriam cumprir e fazê-las cumprir. Se houve “vazamento de informação ilegal, deverá ser apurada, e os culpados, punidos na forma da lei.

Informo também que a OAB/MS foi solidária a nós advogados durante todo o dia, fazendo respeitar as prerrogativas dos advogados, e que podem estar certos que estamos com a consciência tranquila de que os nossos atos como advogados foram praticados dentro  da legalidade e da ética profissional, e que buscaremos na justiça a devida reparação do dano moral por nós sofrido em virtude das divulgações mentirosas e invencionistas postadas em certos órgãos de imprensa, bem como será cuidadosamente analisada a possível prática de abuso de autoridade praticado contra nós em virtude do exercício da nossa profissão.

Atitudes dessa natureza não nos faz esmorecer, ao contrário, nos dá forças para lutar cada dia mais pelo respeito às instituições e ao exercício da advocacia, pois não queremos que nenhum colega advogado passe por situações dessa natureza por “achismos”.

Quem nos conhece, conhece a nossa conduta pessoal e profissional, e esses são os “ossos do oficio”.

Agradeço a todos pelo carinho e pela solidariedade demonstrada ao longo deste dia tão desagradável.

Tenham todos uma boa noite, com Deus no comando de nossas vidas!!

Jornal Midiamax