Polícia

Funcionário público de MS que participou de tentativa de roubo a carro-forte é condenado

Na terça-feira (15), foi condenado a 22 anos de prisão Alcindo Oliveira Coinete, então funcionário público da Prefeitura de Coronel Sapucaia. Ele foi preso em 4 de dezembro de 2019, por participar de tentativa de assalto a um carro-forte dois dias antes, na região de linha internacional. O crime foi comandado por Zé de Lessa, […]

Renata Portela Publicado em 16/12/2020, às 09h19

Carro forte foi alvo dos bandidos (Arquivo)
Carro forte foi alvo dos bandidos (Arquivo) - Carro forte foi alvo dos bandidos (Arquivo)

Na terça-feira (15), foi condenado a 22 anos de prisão Alcindo Oliveira Coinete, então funcionário público da Prefeitura de Coronel Sapucaia. Ele foi preso em 4 de dezembro de 2019, por participar de tentativa de assalto a um carro-forte dois dias antes, na região de linha internacional. O crime foi comandado por Zé de Lessa, líder da facção baiana BDM (Bonde do Maluco), que acabou morrendo em confronto com a polícia de Mato Grosso do Sul.

Conforme a decisão da juíza Thielly Dias de Alencar Pithan, da Vara Criminal de Amambai, restou evidente a participação do funcionário público nos crimes cometidos pela organização criminosa. Alcindo foi o único preso, enquanto outros quatro integrantes fortemente armados morreram durante ação policial, em confronto.

Na peça, a magistrada esclarece que as provas indicam participação clara de Alcindo na organização criminosa. Há inclusive provas de que desde 2016 ele dava abrigo a Zé de Lessa, foragido no Estado da Bahia por vários crimes. Os fatos foram comprovados durante as investigações e ainda apontado que Alcindo usava do cargo público para fugir de qualquer suspeita.

Funcionário público de MS que participou de tentativa de roubo a carro-forte é condenado
José Francisco Lumes, o Zé de Lessa (Foto: Divulgação)

Naquele dia 4 de dezembro, logo no início da manhã, o bando foi encontrado na propriedade rural de Alcindo, bem como armamento pesado, que foi apreendido. Ele tentou negar qualquer relação com a organização e até mesmo com Zé de Lessa, mas foi preso e, agora, condenado.

Ainda de acordo com a juíza, foi evidenciado que Alcindo tinha função clara na organização criminosa, de fornecer apoio logístico e material. Também teria atuado de forma a adquirir insumos, fazendo negociações e fornecendo abrigo ao chefe do bando.

Condenação

Por tudo isso e sendo analisados crime a crime que Alcindo teria cometido – roubo tentado, roubo, sequestro, posse ilegal de arma de fogo e munições – ele acabou condenado a 22 anos e 8 meses de prisão. Além disso, 295 dias-multa. O réu cumprirá em regime fechado. Também deverá pagar para as vítimas de roubo tentado e sequestro R$ 3 mil para cada, e R$ 5 mil e R$ 31 mil para as vítimas do roubo consumado.

Funcionário público de MS que participou de tentativa de roubo a carro-forte é condenado
Armas apreendidas (Arquivo)

Pela condenação, Alcindo perde o cargo público. Ainda na decisão, a magistrada deferiu o pedido feito pelo Garras (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), de doação dos fuzis apreendidos. A delegacia poderá utilizar dois fuzis, um calibre 223 e um 7,62. O restante das armas e munições serão entregues ao Comando do Exército para destruição ou doação para forças de Segurança.

Relembre o caso

Após a identificação do grupo que tentou assaltar o carro-forte da empresa de transporte de valores na segunda-feira (2), foi feito pedido de mandado de busca e apreensão. A polícia identificou que o grupo era comandado por Zé de Lessa e, com o mandado expedido pela juíza de Amambai, foi até a chácara onde eles estariam escondidos, na manhã de quarta-feira (4).

Funcionário público de MS que participou de tentativa de roubo a carro-forte é condenado
(Arquivo)

Equipes do DOF (Departamento de Operações de Fronteira), Garras, Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e CGPA (Coordenadoria Geral de Patrulhamento Aéreo), com helicóptero da polícia, foram até a chácara e teriam sido recebidos a tiros.

No confronto, quatro morreram e um teria conseguido fugir. O dono da chácara, funcionário público da prefeitura de Coronel Sapucaia, foi preso por ajudar a quadrilha e a participação dele no crime é investigada. Na chácara estava uma mulher e dois adolescentes, que seriam a namorada de Zé de Lessa e os filhos dela.

Equipe da polícia com helicóptero fez buscas pelo quinto suspeito que tinha fugido e, quando foi localizado, acionou equipes do Bope e Garras. O bandido teria atirado contra o helicóptero da polícia e contra os outros agentes e acabou morrendo no confronto. Com ele foi encontrado armamento pesado de guerra.

Na chácara foram apreendidos fuzis, metralhadora AK-47 e .50, espingardas, pistolas e muitas munições.

Jornal Midiamax