Polícia

Entre propina e logística, PCC gastou R$ 6 milhões com fuga de 75 membros na fronteira

A fuga em massa de 75 membros da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), em janeiro deste ano do presídio de Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã a 346 quilômetros de Campo Grande teria custado a facção R$ 6 milhões. O dinheiro gasto seria para o pagamento de propinas a agentes penitenciários, […]

Thatiana Melo Publicado em 05/02/2020, às 11h04 - Atualizado às 16h29

Chefões do PCC teriam saído pela porta da frente (Foto: ABC Color)
Chefões do PCC teriam saído pela porta da frente (Foto: ABC Color) - Chefões do PCC teriam saído pela porta da frente (Foto: ABC Color)

A fuga em massa de 75 membros da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), em janeiro deste ano do presídio de Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã a 346 quilômetros de Campo Grande teria custado a facção R$ 6 milhões.

O dinheiro gasto seria para o pagamento de propinas a agentes penitenciários, com logística para a fuga dos ‘chefões’ que tinham prioridade no resgate e com o túnel que foi escavado. A saída do túnel ficava praticamente embaixo de uma das guaritas da penitenciária.

Na época da fuga, o Ministro do Interior Euclides Acevedo, disse que a maioria dos presos fugiu em vans. O ministro disse acreditar que a maioria teria fugido durante a semana em uma van que vende refrigerantes ou uma que entra para a entrega de laticínios. “Obviamente, que nem todo mundo saiu pelo túnel. Eles teriam saído pela porta principal”, disse Acevedo.

Logo após a fuga, três carros foram encontrados queimados. Policiais paraguaios afirmaram ao UOL que impera a lei do silêncio na fronteira, mas acreditam que os carros foram usados para que os fugitivos entrassem no Brasil. O valor gasto para a fuga não foi confirmado oficialmente.

Prisão agentes e diretor presídio

30 agentes, além do ex-diretor do presídio Christian González tiveram a prisão preventiva decretada logo após a fuga em massa.

Plano arquitetado

O plano de fuga teria sido elaborado pelos dois chefes regionais da facção, David Timoteo Ferreira e Osvaldo Rodrigo Pagiotto. Eles teriam tido ajuda de seis pistoleiros do narcotraficante Sérgio de Arruda Quintiliano, o Minotauro. O objetivo da fuga era para reagrupar os membros e retomar a região no tráfico de drogas e armas. Até o momento, apenas 11 fugitivos foram recapturados.

Laboratório de drogas

A polícia paraguaia encontrou a 150 metros da penitenciária de onde fugiram os membros do PCC, um laboratório de drogas que fornecia crack e cocaína aos detentos.

O laboratório foi encontrado em um assentamento a 150 metros da penitenciária. No local foram apreendidos 27 quilos de crack e cocaína que era fornecida a detentos idosos e a reclusos do Centro de Educação Infantil, que fica a 40 metros do local. Felipe Sambelli Pereira e sua companheira Denise Oliveira Foram presos. Felipe é membro do PCC de São Paulo.

A fuga

A fuga foi anunciada por volta das 5 horas da madrugada do dia 19 de janeiro. A princípio 75 detentos, membros do PCC, teriam fugido através de um túnel escavado de dentro da unidade até o lado de fora. Mais de 70 metros escavados, mais de 200 sacos de areia deixados em uma das celas da penitenciária e o fator mais questionado foi se nenhum agente penitenciário viu a fuga ou mesmo a escavação ou sequer suspeitou.

Com mais de 200 agentes das forças de segurança na fronteira, há suspeita de que os fugitivos possam ter evadido para os estados de origem. Logo após a fuga, comunicada para a Sejusp-MS (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul) ainda na madrugada de domingo, equipes policiais foram enviadas para a região de fronteira, principalmente entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.

Jornal Midiamax