Polícia

‘Era pro TCC’: Confira desculpas de presos por pedofilia em Campo Grande

Presos na operação contra a pedofilia que aconteceu nesta quinta-feira (29), em Campo Grande prestaram depoimento e passam por audiência de custódia, nesta sexta-feira (30). De tese para TCC até pandemia foram dadas como desculpas para o armazenamento e compartilhamento de vídeos e fotos de pornografia com crianças e adolescentes. Foram quatro mandados cumpridos durante […]

Thatiana Melo Publicado em 30/10/2020, às 08h49 - Atualizado às 17h58

(Henrique Arakaki, Midiamax)
(Henrique Arakaki, Midiamax) - (Henrique Arakaki, Midiamax)

Presos na operação contra a pedofilia que aconteceu nesta quinta-feira (29), em Campo Grande prestaram depoimento e passam por audiência de custódia, nesta sexta-feira (30). De tese para TCC até pandemia foram dadas como desculpas para o armazenamento e compartilhamento de vídeos e fotos de pornografia com crianças e adolescentes. Foram quatro mandados cumpridos durante a terceira fase da Operação Deep Caught.

O advogado, que é cabo da Polícia Militar e estava licenciado, disse em depoimento que passou a baixar os vídeos e foros com crianças e adolescentes para sua tese de TCC, para a conclusão de seu trabalho de pós-graduação. Ele disse que não apresentou o trabalho, mas passou a fazer a pesquisa para saber como esse material era disponibilizado na rede.

O advogado ministra aulas de direito penal em uma universidade, como professor substituto. O cabo está licenciado desde fevereiro deste ano para tratar de assuntos pessoais. Durante a sua prisão foi questionado se ele mandava que os filhos de 10 e 4 anos usassem roupas curtas e justas para filmá-los, mas ele negou.

O questionamento veio de um depoimento especial obtido pelos policiais. Mais de 100 gigas e mais de 100 vídeos foram encontrados no computador do advogado.

O auxiliar contábil preso no Jardim Seminário, contou que é viciado em pornografia infantil e que passu a acessar há 3 meses e por causa da pandemia do coronavírus não conseguiu parar. Ele disse que sempre assistia à noite quando todos dormiam na residência. O empresário, morador do bairro Vila Vilas Boas, disse em depoimento que começou a assistir vídeos pornográficos quando tinha 17 anos e que seria viciado em vídeos com crianças e adolescentes. Na casa dele foi encontrado um revólver calibre .38, que segundo ele era de seu pai que morreu em 2000, mas ele não rinha regularizado o armamento.

Já na casa do 2º sargento da cavalaria do Exército foram encontrados 15 vídeos com pornografia infantil. Ele disse que sabia que estava cometendo um crime, mas que ‘tomou gosto pela coisa’. Todos os presos passam por audiência de custódia nesta sexta-feira (30).

No caso do advogado preso e que é militar licenciado, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) emitiu uma nota, confira:

“A OAB/MS solicitou o processo de inscrição dele para verificar como ele se inscreveu, se não declarou ou ocultou o exercício da função mesmo estando afastado”, afirmou a entidade por meio da assessoria de imprensa.

A Polícia Militar, por sua vez, informou que será instaurado procedimento administrativo disciplinar para apurar a conduta do servidor.

Outras fases

Em agosto deste ano foi deflagrada a segunda fase da Deep Caught, em Campo Grande, contra a pedofilia infantil. Sete mandados foram cumpridos em várias cidades do Estado, na época. A operação era contra os acusados de exploração e abuso sexual contra crianças e adolescentes praticados por meio da internet. Na primeira fase em maio deste ano, foram cumpridos mandados em 4 cidades do Estado, Campo Grande, Jardim, Cassilândia e Bonito.

Crime

A pena para quem armazena esse tipo de conteúdo varia de 1 a 4 anos de prisão, de 3 a 6 anos pelo compartilhamento e de 4 a 8 anos de prisão pela produção de conteúdo relacionado aos crimes de exploração sexual.

Jornal Midiamax