Polícia

Vizinhos da Máxima temem por tradicionais rebeliões no aniversário do PCC

No dia em que a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) comemora seus 27 anos de fundação, vizinhos ao Presídio de Segurança Máxima, em Campo Grande, temem por rebeliões, balas perdidas e tiros. Nesta segunda-feira (31), a Polícia Federal deflagrou uma operação em 19 estados brasileiros, entre eles Mato Grosso do Sul, com o […]

Thatiana Melo Publicado em 31/08/2020, às 08h59 - Atualizado às 10h19

Moradores relatam medo constante em bairro onde está localizada penitenciária de segurança máxima de Campo Grande (Henrique Arakaki, Midiamax)
Moradores relatam medo constante em bairro onde está localizada penitenciária de segurança máxima de Campo Grande (Henrique Arakaki, Midiamax) - Moradores relatam medo constante em bairro onde está localizada penitenciária de segurança máxima de Campo Grande (Henrique Arakaki, Midiamax)

No dia em que a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) comemora seus 27 anos de fundação, vizinhos ao Presídio de Segurança Máxima, em Campo Grande, temem por rebeliões, balas perdidas e tiros. Nesta segunda-feira (31), a Polícia Federal deflagrou uma operação em 19 estados brasileiros, entre eles Mato Grosso do Sul, com o cumprimento de 122 mandados.

Um casal morador do bairro, que não quis se identificar, contou ao Jornal Midiamax que fica com medo de alguma rebelião, e de balas perdidas já que moram bem próximo do presídio.

Uma mulher de 50 anos disse que o marido está preso há 4 anos no Máxima- ele cumpre pena por sequestro. Ela contou que falou com o homem no sábado, já que estava preocupada por causa do aniversário da facção, e ele teria afirmado para ela que não estava tendo nenhuma movimentação dentro da penitenciária. Um idoso de 66 anos também afirmou que fica com medo, “A gente fica com medo, e o poder público não faz nada, quem somos nós?”, disse.

Rebelião

Em 2006, a facção coordenou uma rebelião em todo o Brasil, sendo que em Mato Grosso do Sul, quatro cidades tiveram movimentações em seus presídios, entre eles o de Segurança Máxima da Capital. Já em fevereiro de 2010, membros da facção criminosa, um total de cinco, foram denunciados da morte de Fernando Aparecido Eloy.

As investigações apontaram que o detento foi torturado, teve dentes arrancados e após morto, teve o corpo carbonizado. A cabeça, foi exibida por outros presos do alto do Presídio de Segurança Máxima, o Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho.

A rebelião, que começou por volta das 11h30 de domingo, só terminou mais de 24 horas depois. Agentes penitenciários foram mantidos reféns, enquanto presos com faixas do PCC e rostos cobertos anunciavam o motim. Após a negociação e contenção dos detentos, foi feito pedido de transferência de alguns deles, apontados como lideranças negativas.

Operação PF

Nesta segunda-feira (31) a Polícia Federal deflagrou mais uma operação contra a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) para o cumprimento de 600 mandados em 19 estados brasileiros e o Distrito Federal. A operação seria um desdobramento da Caixa Forte, que foi deflagrada, em agosto de 2019. São 122 mandados no Estado.

A operação contra a facção está ligada ao tráfico de drogas e lavagem dinheiro e já foram bloqueados cerca de R$ 252 milhões em contas ligadas ao PCC. De acordo com a Polícia Federal esta é a maior operação em bloqueios de contas bancárias ligadas a facção criminosa.

São cumpridos mais de 600 mandados em 19 estados e no Distrito Federal, 422 deles de prisão. Todos os mandados foram expedidos pela 2ª Vara de Tóxicos de Belo Horizonte/MG.

Aniversário

PCC foi fundado em 31 de agosto de 1993 por oito presidiários, no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté a 130 quilômetros da cidade de São Paulo, chamada de “Piranhão”, até então a prisão mais segura do estado de São Paulo.

PCC, que foi também chamado no início como Partido do Crime, afirmava que pretendia “combater a opressão dentro do sistema prisional paulista” e “vingar a morte dos cento e onze presos”, em 2 de outubro de 1992, no “massacre do Carandiru “, quando a Polícia Militar matou presidiários no pavilhão 9 da extinta Casa de Detenção de São Paulo.

O grupo usava o símbolo chinês do equilíbrio yin-yang em preto e branco, considerando que era “uma maneira de equilibrar o bem e o mal com sabedoria”.

Jornal Midiamax