Polícia

Caso Marielly: Justiça do Mato Grosso faz confusão e solta Hugleice por engano

Por engano, a Justiça do Mato Grosso colocou em liberdade na semana passada Hugleice da Silva, que estava preso por tentar matar a esposa naquele Estado. A confusão ocorreu por conta de outro processo pelo qual o réu responde e teve a prisão revogada, relacionado ao aborto que terminou na morte da cunhada Marielly Barbosa, […]

Renan Nucci Publicado em 01/09/2020, às 15h17 - Atualizado em 02/09/2020, às 09h15

A 1ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) deferiu o pedido para que Hugleice da Silva responda em liberdade pela morte da cunhada Marielly Barbosa, de 19 anos. (Foto Arquivo)
A 1ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) deferiu o pedido para que Hugleice da Silva responda em liberdade pela morte da cunhada Marielly Barbosa, de 19 anos. (Foto Arquivo) - A 1ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) deferiu o pedido para que Hugleice da Silva responda em liberdade pela morte da cunhada Marielly Barbosa, de 19 anos. (Foto Arquivo)

Por engano, a Justiça do Mato Grosso colocou em liberdade na semana passada Hugleice da Silva, que estava preso por tentar matar a esposa naquele Estado. A confusão ocorreu por conta de outro processo pelo qual o réu responde e teve a prisão revogada, relacionado ao aborto que terminou na morte da cunhada Marielly Barbosa, de 19 anos, ocorrido em 2011, em Sidrolândia.

O advogado José Roberto Rosa, de Campo Grande e que faz a defesa de Hugleice, explicou o embaraço desde o início. Ele pontuou que no caso da Marielly, o réu teve a prisão preventiva revogada e acabou indo com a família para o Mato Grosso. Lá, se envolveu em outro problema em 2018, durante uma mudança para Rondonópolis.

Conforme a defesa, ele teria flagrado mensagens no celular da esposa, que indicavam traição dela com o vizinho. Ele então  esfaqueou no pescoço Mayara Barbosa, irmã mais velha de Marielly. “Graças a Deus não houve algo mais grave e ele foi preso por tentativa de homicídio [feminicídio]”, explicou o advogado.

No entanto, o juiz responsável pelo caso do aborto, de Sidrolândia, ao saber que ele havia sido preso pelo crime contra a mulher no Mato Grosso, decidiu decretar a prisão preventiva novamente. Aí começou a confusão do judiciário. A defesa recorreu contra este novo pedido relacionado ao aborto e foi atendida, tendo alvará de soltura sido expedido.

Ao mesmo tempo, o advogado havia ingressado também com pedido de habeas corpus junto ao TJMT, para que Hugleice fosse solto pela tentativa de feminicídio. O sistema penitenciário acabou fazendo confusão e liberou o réu, acreditando que o alvará de soltura do processo de Mato Grosso do Sul fosse o mesmo pelo qual ele respondia no Mato Grosso.

“Chegou a soltura do TJMS, não verificaram que ele ainda estava preso pelo processo do TJMT e soltaram. Ele me ligou agradecendo e até a mãe dele falou comigo chorando, muito emocionada. Nesta segunda-feira fui verificar o teor da decisão, imaginando que ele havia sido solto em razão do habeas corpus no TJMT, e descobri o engano”. Mesmo assim, o advogado orientou que o réu se apresentasse espontaneamente no Fórum mais próximo, mostrando que não tem interesse em fugir.

Relembre o caso Marielly

O crime, que causou comoção em Campo Grande, veio à tona quando foi registrado o desaparecimento de Marielly Barbosa Rodrigues no dia 21 de maio de 2011. O corpo da jovem foi encontrado no dia 11 de junho em um canavial em Sidrolândia, já em adiantado estado de decomposição. Em investigações, a polícia chegou à conclusão que Marielly foi vítima de um aborto malsucedido cometido pelo enfermeiro Jodimar Ximenez Gomes, que agora também está em liberdade.

No inquérito que apurou a morte também foi apontada participação direta do cunhado, Hugleice da Silva, na época com 28 anos. Ele teria engravidado a jovem e contratado o enfermeiro Jodimar para realizar o aborto. Tudo como uma tentativa de encobrir a traição, já que a esposa de Hugleice era irmã de Marielly. Durante a época das investigações, tanto a mãe quanto a irmã de Marielly afirmaram que colocariam a “mão no fogo” por Hugleice, e que ele não seria capaz de cometer o crime

Jornal Midiamax