Polícia

Agora sem torcida organizada, PRF que matou em briga de trânsito volta ao júri

Sem a torcida organizada e manifestações em frente ao Fórum de Campo Grande, na manhã desta quinta-feira (30), vai a julgamento o policial rodoviário federal, Ricardo Hyun Soo Moon acusado de matar a tiros o empresário Adriano Correa, no dia 31 de dezembro de 2016. Com o plenário sem muita movimentação neste segundo julgamento, já […]

Thatiana Melo Publicado em 30/05/2019, às 08h35 - Atualizado às 10h30

PRF durante julgamento em que foi condenado. Foto: Minamar Júnior
PRF durante julgamento em que foi condenado. Foto: Minamar Júnior - PRF durante julgamento em que foi condenado. Foto: Minamar Júnior

Sem a torcida organizada e manifestações em frente ao Fórum de Campo Grande, na manhã desta quinta-feira (30), vai a julgamento o policial rodoviário federal, Ricardo Hyun Soo Moon acusado de matar a tiros o empresário Adriano Correa, no dia 31 de dezembro de 2016.

Com o plenário sem muita movimentação neste segundo julgamento, já que o primeiro, no dia 11 de abril teve de ser adiado devido a um dos jurados passar mal, a mãe de Adriano espera que agora seja feita justiça, “Não desejo isso para família nenhuma”, falou.

A acusação, o defensor Irajá Pereira Messias, disse que o policial não agiu em legítima defesa, e sim se descontrolou atirando 11 vezes contra a camionete em que estava Adriano, um adolescente e seu pai. “Ele agiu inequivocamente”, disse o promotor.

Já o diretor do Sinprf/MS (Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Mato Grosso do Sul) Wanderley Alves dos Santos contou que Ricardo agiu da única maneira que poderia ter agido, já que não fosse do daquele jeito não iria parar a injusta agressão.

Wanderley ainda afirmou que atirar em pneus é lenda urbana. Moon foi acusado de homicídio qualificado, por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima, e duas tentativas de homicídio com as mesmas qualificadoras.

A defesa do réu solicitou a absolvição sumária do acusado, alegando legítima defesa. O juiz rejeitou o pedido da defesa para que o processo tramitasse na justiça federal, sob o argumento de que, no momento dos fatos, o acusado teria agido na condição de policial rodoviário federal.

Relembre o caso

No dia 31 de dezembro de 2016, por volta das 5h40 da manhã, na Avenida Ernesto Geisel, esquina com a Rua 26 de Agosto, o policial atirou no empresário e tentou matar outras duas pessoas.

Ricardo Moon se deslocava para o trabalho em Corumbá, conduzindo o veículo Pajero TR4, enquanto a vítima dirigia a camionete Toyota Hilux, acompanhada das vítimas, no banco traseiro, e também no banco ao lado do motorista.

Conforme a denúncia, ao fazer conversão à direita, Adriano não percebeu a proximidade com o veículo do acusado e quase provocou um acidente de trânsito. Ato contínuo, o acusado abordou as vítimas, descendo do veículo, identificando-se como policial e chamou reforço.

As vítimas chegaram a descer do carro e solicitaram que o acusado mostrasse sua identificação visto que, pela vestimenta que trajava, não era possível saber se era mesmo policial rodoviário federal. Diante da recusa do acusado, eles retornaram ao carro e Adriano ligou a camionete iniciando manobra para desviar do veículo do réu, que estava impedindo sua passagem.

Quando iniciou o deslocamento, o policial efetuou disparos na direção do carro, que se chocou com um poste de iluminação. Após o choque, uma das vítimas saltou do carro e viu que fraturou alguns membros, enquanto a outra vítima foi atingida por disparos. O motorista foi atingido e faleceu no local. O réu foi pronunciado em agosto de 2017.

Jornal Midiamax