Polícia

Seis vezes condenado, Nando será julgado por matar rapaz que o furtou

Condenado a 87 anos e seis meses prisão por seis homicídios, Luiz Alves Martins Filho, o Nando, acusado de liderar grupo de extermínio responsável pela morte de ao menos 15 pessoas em Campo Grande, será julgado por mais um assassinato. Na próxima sexta-feira, vai a júri popular pelo homicídio qualificado de Ariel Fernando Garcia Lima […]

Renan Nucci Publicado em 06/05/2019, às 17h03

Julgamento realizado por videoconferência. Foto: Minamar Júnior
Julgamento realizado por videoconferência. Foto: Minamar Júnior - Julgamento realizado por videoconferência. Foto: Minamar Júnior

Condenado a 87 anos e seis meses prisão por seis homicídios, Luiz Alves Martins Filho, o Nando, acusado de liderar grupo de extermínio responsável pela morte de ao menos 15 pessoas em Campo Grande, será julgado por mais um assassinato. Na próxima sexta-feira, vai a júri popular pelo homicídio qualificado de Ariel Fernando Garcia Lima Teixeira. O comparsa Claudinei Augusto Ornelas também responde.

Consta nos autos que no dia 12 de fevereiro 2014, na Rua Getulina, no bairro Jardim Veraneio, na Capital, os denunciados mataram Ariel com seis tiros, sendo que três foram na cabeça, um em cada braço e o outro no tórax do lado direito. O crime teria acontecido por vingança, em razão da vítima ter furtado Nando em data anterior.

De acordo com a denúncia, a vítima foi conduzida até o local dos fatos mediante dissimulação, com o pretexto de que realizariam um programa sexual. No local, Nando surpreendeu a vítima efetuando repentinamente os disparos de arma de fogo, sem que Ariel pudesse esboçar qualquer reação.

A participação do réu Claudinei. no delito foi por ter vigiado o local, enquanto o primeiro réu executava o crime. O laudo necroscópico atesta que a morte da vítima foi causada por trauma torácico e traumatismo craniano por ação perfuro contundente, provocado pela arma de fogo, além do exame do corpo de delito apontar também morte violenta.

O juiz Aluízio Pereira dos Santos, responsável pelo caso, destacou que há materialidade e indícios suficientes de autoria e a causa deve ser submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri. Diante do exposto, pronunciou os réus por homicídio, com motivo torpe, mediante dissimulação e recurso que dificulte a defesa da vítima.

Conforme já noticiado, em 2016, operação da Polícia Civil desarticulou o esquema operado por Nando e vários comparsas. Em troca de favores sexuais, ele fornecia drogas a usuários do bairro e estimulava o vício. No entanto, tais usuários às vezes cometiam pequenos delitos, como furtos, e acabavam pagando com a vida quando descobertos.

O líder do grupo os sentenciava à morte de forma cruel, acreditando que estava fazendo um favor aos moradores, “livrando o bairro de bandidos”. Contudo, estava apenas agravando um problema que ele mesmo ajudou a criar. As vítimas eram mortas geralmente por enforcamento, e depois enterradas em um cemitério clandestino localizado nas imediações do Jardim Veraneio.

Condenações

Dos seis júris já realizados anteriormente, Nando foi condenado pelos homicídios em cinco deles, apenas em um caso, sobre a morte de Ana Claudia Marques, ele foi absolvido do homicídio, sendo condenado apenas pela ocultação de cadáver. O primeiro julgamento aconteceu no dia 29 de junho de 2018, com a condenação do réu a 18 anos e 3 meses de reclusão pela morte da vítima “Café” ou “Neguinho”. O processo está em grau de recurso.

Ainda no ano passado, no dia 23 de novembro, Nando foi julgado e condenado a 18 anos e 4 meses de reclusão e 20 dias-multa pelo assassinato de Lessandro Valdonado de Souza. O processo também está em grau de recurso.

No dia 20 de fevereiro, ele recebeu nova condenação pela morte de Jenifer Luana Lopes. A pena foi fixada em 18 anos e 3 meses de reclusão. Dias antes, no dia 8, ele teve sua primeira e única absolvição até agora, sendo condenado apenas pela ocultação de cadáver de Ana Cláudia Marques. O crime foi atribuído a um de seus comparsas, que ainda não foi submetido a julgamento, pois recorreu. Pela ocultação do cadáver, a pena foi fixada em 2 anos de reclusão e 30 dias-multa.

No dia 10 de abril, ele teve a condenação a 16 anos e 3 meses de reclusão e 15 dias-multa pela morte de Flávio Soares Corrêa.  No dia 26, foi condenado a 14 anos e três meses de prisão pela morte de Bruno Santos Silva. Ainda devem ser agendados os julgamentos pelas mortes das vítimas Alex da Silva dos Santos; Jhenifer Lima da Silva; Aparecida Adriana da Costa; Aline Farias da Silva; “Alemão” e Eduardo Dias Lima.

Jornal Midiamax