Polícia

Eletrônicos apreendidos na Omertà revelam rede de espionagem em Campo Grande

A milícia investigada por envolvimento com execuções ocorridas em Campo Grande contava com aparato de inteligência policial, para que os pistoleiros pudessem atuar como detetives, colhendo informações de forma sigilosa a respeito dos alvos. Eles monitoravam residências, locais frequentados e horários de chegada e saída, conforme inquérito instaurado no dia 3 de maio pelo Gaeco […]

Renan Nucci Publicado em 02/10/2019, às 06h00 - Atualizado em 03/10/2019, às 09h50

Equipes durante a Operação Omertá. (Foto: Henrique Arakaki)
Equipes durante a Operação Omertá. (Foto: Henrique Arakaki) - Equipes durante a Operação Omertá. (Foto: Henrique Arakaki)

A milícia investigada por envolvimento com execuções ocorridas em Campo Grande contava com aparato de inteligência policial, para que os pistoleiros pudessem atuar como detetives, colhendo informações de forma sigilosa a respeito dos alvos. Eles monitoravam residências, locais frequentados e horários de chegada e saída, conforme inquérito instaurado no dia 3 de maio pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) do Ministério Estadual.

A partir de investigação conjunta realizada com o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros), foi descoberta conexão entre execuções ocorridas entre 11 de junho de 2018 e 10 de abril de 2019, que vitimaram Ilson Martins Figueiredo, Orlando da Silva Mendes e Matheus Coutinho da Silva Xavier.

No caso de Matheus, por exemplo, que foi morto por engano no lugar do pai, o policial militar Paulo Roberto Teixeira Xavier, o grupo usou um hacker para obter a localização em tempo real do verdadeiro alvo. No entanto, a execução não saiu como o esperado. Na casa situada na Rua José Luiz Pereira, no Jardim Monte Líbano, onde o Garras e o Batalhão de Choque da Polícia Militar apreenderam o arsenal usado pelo grupo, foram encontrados instrumentos como um boné com câmera oculta e bloqueadores de sinal eletromagnético.

Os bonés, explica o Gaeco, permitem realização de filmagens ocultas e foram usados, muito provavelmente, em atividades de preparação para os homicídios, em especial no levantamento do endereço dos alvos. Os bloqueadores de sinal, inibem transmissão do sinal das tornozeleiras eletrônicas, permitindo que indivíduos monitorados pela justiça pudessem participar das ações.

Entre os presos, estavam agentes da segurança pública, como guardas e policiais que facilitavam acesso a estes equipamentos. Ainda segundo o Gaeco, é possível que os agentes de segurança pública usavam seus acessos ao sistema de inteligência das corporações para troca de informações com comparsas. Na casa onde estava o arsenal, foi encontrado ainda um “arreador de gado”, instrumento que liberada descarga elétrica usado por boiadeiros e que, no caso da milícia, muito provavelmente tinha como finalidade a tortura.

Envolvimentos

Na última sexta-feira (27) fpi deflagrada a Operação Omertá, que contou com 17 equipes do Garras, Gaeco e Batalhão de Choque da PM. Foram cumpridos 44 mandados na Capital, sendo 13 de prisão preventiva, 10 de prisão temporária e 21 de busca e apreensão. Informações são de que os empresários Jamil Name e Jamil Name Filho seriam suspeitos de chefiar uma milícia envolvida com execuções em Campo Grande. A polícia apreendeu R$ 150 mil em posse do empresário Jamil Name.

Foram presos durante a operação 20 pessoas entre elas Jamil Name e Jamil Name Filho. Os presos foram Elvis Elir Camargo Lima; Eronaldo Vieira da Silva; Euzébio de Jesus Araújo; Everaldo Monteiro de Assis; Frederico Maldonado Arruda; Igor Cunha de Souza; Luis Fernando da Fonseca; Rafael Carmo Peixoto Ribeiro; Rudney Machado Medeiros; além de Alcinei Arantes da Silva; Andrison Correia; Eltom Pedro de Almeida; Flávio Narciso Morais da Silva, Marcelo Rios; Márcio Cavalcanti da Silva; Rafael Antunes Vieira; Robert Vítor Kopetski, Vladenilson Daniel Olmedo.

Jornal Midiamax