Polícia

Morte de Rafaat teria reduzido homicídios entre jovens em MS, aponta Atlas da Violência

O Atlas da Violência, um estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi divulgado nesta quarta-feira (5) e aponta que a morte do narcotraficante Jorge Rafaat em 2016 na fronteira com Mato Grosso do Sul pode estar ligada ao aumento de mortes no Norte e […]

Dayene Paz Publicado em 05/06/2019, às 17h21 - Atualizado em 06/06/2019, às 08h45

Rafaat foi assassinado quando saia do escritório em Pedro Juan Caballero. (Foto: Arquivo Midiamax)
Rafaat foi assassinado quando saia do escritório em Pedro Juan Caballero. (Foto: Arquivo Midiamax) - Rafaat foi assassinado quando saia do escritório em Pedro Juan Caballero. (Foto: Arquivo Midiamax)

O Atlas da Violência, um estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi divulgado nesta quarta-feira (5) e aponta que a morte do narcotraficante Jorge Rafaat em 2016 na fronteira com Mato Grosso do Sul pode estar ligada ao aumento de mortes no Norte e Nordeste e diminuição de homicídios entre homens jovens em Mato Grosso do Sul.

Morte de Rafaat teria reduzido homicídios entre jovens em MS, aponta Atlas da Violência
Foto: Ilustrativa.

O PCC assassinou o chefe do tráfico na cidade de Pedro Juan Caballero, fronteira com Ponta Porã, acentuando a disputa do narconegócio e expandindo o tráfico com novas rotas de importação da cocaína, como o Acre, por fazer fronteira com o Peru e a Bolívia, após a diminuição da droga produzida na Colômbia.

“O assassinato do traficante Jorge Rafaat pelo PCC, em 15 de julho de 2016, na cidade de Pedro Juan Caballero, fronteira com Ponta Porã (MS), acentuou ainda mais a disputa do narconegócio, uma vez que que tinha como pano de fundo o controle do mercado criminal na fronteira e, por conseguinte, a obtenção de um grande diferencial competitivo, com a integração vertical da cadeia de valor, a partir do acesso privilegiado à droga produzida e comercializada na Bolívia, no Peru e no Paraguai (Manso e Dias, 2018)”.

Conforme o estudo “houve um processo de expansão geoeconômica das maiores facções penais do Sudeste pelo domínio de novos mercados varejistas locais de drogas, assim como novas rotas para o transporte de drogas ilícitas, que se iniciou em meados dos anos 2000. Este processo foi engendrado, sobretudo, pelo PCC, que viu a possibilidade de aumento dos lucros no negócio de cocaína pela integração vertical do mercado, tendo em vista as grandes diferenças de preço do cloridrato de cocaína pura nos territórios produtores e consumidores”.

As diminuições dos homicídios, conforme os dados, ocorreram nos estados onde estava em curso, com maior intensidade, a guerra entre as facções que eclodiu no final de 2016. “Não se pode descartar a hipótese de a queda das mortes em 2018 e início de 2019 estar ligada a um processo de acomodação dessas escaramuças, uma vez que economicamente é inviável manter uma guerra de maior intensidade durante anos a fio”, relata o Ipea.

Dados

Os dados mostram que em Mato Grosso do Sul foram 659 homicídios em 2017, o que representa taxa de 24,3 mortes para cada cem mil habitantes, número abaixo da média nacional, conforme o estudo. Comparado a 2016, houve queda de 2,9%, quando foram registrados 671 assassinatos. Já em relação a 2007, a redução é de 20,2%, quando o número chegou a 710 mortes violentas.

No âmbito nacional, em 2017 foram 65.602 homicídios, uma taxa de aproximadamente 31,6 mortes para cada cem mil habitantes. Trata-se do maior nível histórico de letalidade violenta intencional no país que atinge a população jovem. Para se ter uma ideia, 59,1% do total de óbitos de homens entre 15 a 19 anos de idade são ocasionados por homicídio. Esse cenário gera fortes implicações, inclusive sobre o desenvolvimento econômico e social, conforme o estudo.

Homicídio de mulheres

O Atlas da Violência deste ano mostra que a taxa de homicídio de mulheres cresceu acima da média nacional em 2017. A taxa geral de homicídios no país aumentou 4,2% na comparação 2017-2016, a taxa que conta apenas as mortes de mulheres cresceu 5,4%. Apesar disso, o indicador continua bem abaixo do índice geral (31,6 casos a cada 100 mil habitantes), com 4,7 casos de mortes de mulheres para cada grupo de 100 mil habitantes. Ainda assim, é a maior taxa desde 2007.

Em 28,5% dos homicídios de mulheres, as mortes foram dentro de casa, o que o Ipea relaciona a possíveis casos de feminicídio e violência doméstica. Entre 2012 e 2017, o instituto aponta que a taxa de homicídios de mulheres fora da residência caiu 3,3%, enquanto a dos crimes cometidos dentro das residências aumentou 17,1%. Já entre 2007 e 2017, destaca-se ainda a taxa de homicídios de mulheres por arma de fogo dentro das residências que aumentou em 29,8%.

Em 28,5% dos homicídios de mulheres, as mortes foram dentro de casa, o que o Ipea relaciona a possíveis casos de feminicídio e violência doméstica. Entre 2012 e 2017, o instituto aponta que a taxa de homicídios de mulheres fora da residência caiu 3,3%, enquanto a dos crimes cometidos dentro das residências aumentou 17,1%. Já entre 2007 e 2017, destaca-se ainda a taxa de homicídios de mulheres por arma de fogo dentro das residências que aumentou em 29,8%.

Jornal Midiamax