Ao flagrar e aprender verdadeiro arsenal de guerra, o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros) pode ter estourado as instalações e depósitos de suposta milícia armada formada por seguranças e até policiais civis e militares em Campo Grande.

Segundo testemunhas ouvidas na investigação sobre a origem e uso do armamento, o grupo atuaria prestando serviços de escolta e ‘serviços de segurança’. Uma das suspeitas é de que as armas estariam ligadas a recentes crimes de pistolagem em Mato Grosso do Sul.

A Polícia Civil já tem pelo menos um depoimento indicando, além do guarda civil municipal preso, a participação de servidores da área de segurança pública estadual.

Ao todo, foram encontrados quatro carabinas 556, 11 pistolas nove milímetros, uma arma calibre 12, outra arma longa calibre.22, um revólver 357, quatro pistolas .40, um calibre 380, uma pistola calibre 22, além dos dois fuzis AK47. Também foram apreendidos silenciadores e carregadores. Além de uma pistola Glock que estava com o guarda em seu veículo na Rua Rodolfo José Pinho.

Em depoimento durante a prisão em flagrante, testemunhas relataram que o guarda prestava serviço como segurança particular em comércios, como um supermercado, bem como para a família de um empresário. Além dele, policiais civis e militares também integrariam a milícia e trabalhavam de maneira informal prestando serviço de escolta.

Crimes de execução pública por pistoleiros, como a morte do delegado Paulo Magalhães, poderiam ter ligação com a atuação do grupo.

delegado Fábio Peró, do Garras, investiga se as armas estejam ligadas às recentes execuções ocorridas na Capital. No entanto, para comprovar tal possibilidade é necessário profunda análise, inclusive dos laudos de balística.

O advogado do guarda municipal preso como o armamento, Alexandre Franzoloso, nega que o cliente tenha envolvimento com milícia ou homicídios.

“A informação que existe nos autos de prisão é que as armas foram apreendidas com Marcelo, que estava em posse da chave da casa. Ele foi autuado pelo crime de posse de arma de fogo de uso restrito e por receptação, por conta de um carro roubado que estava com ele. É isso o que temos por enquanto”, disse.

Execuções

Os fuzis AK47 apreendidos são do mesmo calibre usado nos assassinatos de Ilson Figueiredo, Orlando Bomba e Matheus Coutinho Xavier. Sobre um possível envolvimento do agente nas execuções também será investigado ou se ele só fazia o serviço de transporte.

Matheus Coutinho Xavier foi assassinado em frente à sua casa com 7 tiros de fuzil na cabeça, e na época de sua execução, no dia 9 de abril, foi levantado que a arma usada no crime poderia ter ligação com o armamento usado na execução de Ilson Figueiredo, que foi assassinado em junho de 2018.

O carro em que Ilson estava foi surpreendido, na Avenida Guaicurus e alvejado por diversos tiros de arma de grosso calibre, entre elas, um fuzil. Aproximadamente 18 cápsulas foram recolhidas pela perícia no local. Depois de ser atingido, o veículo que ele dirigia bateu contra o muro de uma casa.

Os pistoleiros que executaram o chefe da segurança da Assembleia Legislativa usaram uma metralhadora e um fuzil AK-47 no crime. Encapuzados, vestindo preto e com coletes à prova de balas, os pistoleiros começaram a atirar contra o carro do policial aposentado uma quadra antes do local onde o carro parou. Nas imediações na Rua Piracanjuba, na região, o carro usado na execução de Ilson, um Fiat Toro, foi encontrado incendiado.

Também foi executado com armamento do mesmo calibre, Orlando da Silva Fernandes, 41 anos, conhecido como ‘Orlando Bomba’ executado com tiros de fuzil na cabeça, tórax, e braços em frente a uma barbearia. Dois homens chegaram em uma Dodge Journey, desceram e executaram ele, que saía do local e ia em direção à sua camionete Hillux. Um outro homem em uma moto deu apoio para a execução. A polícia encontrou no local com a vítima três celulares intactos que estavam com ele, além de cheques e quantia em dinheiro. O crime aconteceu no dia 26 de novembro de 2018.