Polícia

Alvos da Polícia Federal lavavam dinheiro do tráfico em tabacaria de Campo Grande

A organização criminosa alvo da Operação Teto Baixo, deflagrada na quinta-feira (17) pela Polícia Federal, lavava dinheiro do tráfico em uma tabacaria de Campo Grande. Ao todo, cinco pessoas foram presas em Mato Grosso do Sul, sendo dois mandados de prisão preventiva e dois de prisão temporária na Capital, e um de prisão temporária em […]

Renan Nucci Publicado em 18/10/2019, às 15h35 - Atualizado em 19/10/2019, às 10h20

Deco durante cumprimento de mandado na Operação Dínamo. Foto: Arquivo
Deco durante cumprimento de mandado na Operação Dínamo. Foto: Arquivo - Deco durante cumprimento de mandado na Operação Dínamo. Foto: Arquivo

A organização criminosa alvo da Operação Teto Baixo, deflagrada na quinta-feira (17) pela Polícia Federal, lavava dinheiro do tráfico em uma tabacaria de Campo Grande. Ao todo, cinco pessoas foram presas em Mato Grosso do Sul, sendo dois mandados de prisão preventiva e dois de prisão temporária na Capital, e um de prisão temporária em Naviraí.

O grupo, composto por irmãos, foi descoberto em 2017, pela Polícia Civil, quando clonou uma aeronave para o tráfico. Na ocasião, a Deco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado) deflagrou a Operação Narcos, no dia 4 de agosto daquele ano, quando fez uma geral na sede da empresa Dínamo, que pertencia ao chefe da quadrilha, localizada na Vila Carvalho.

As investigações da Deco descobriram que o proprietário clonou um avião Baron prefixo PT-WMV  para despistar envolvimento com o tráfico depois de queda com cocaína na Bolívia, em 2016, quando um dos tripulantes morreu. Após o acidente, a Dínamo denunciou falsamente à Polícia Civil o furto da aeronave avaliada em R$ 1 milhão, dentro do Aeroporto Teruel. O objetivo da falsa denunciação era despistar as autoridades a respeito do tráfico, já que, por meio do acidente, seria possível chegar aos responsáveis.

As polícia descobriu o esquema de distribuição de drogas e então a empresa clonou o avião, e alegou que a aeronave havia sido recuperada. Obviamente a história não convenceu as autoridades e o grupo foi preso. Na época, eles usavam como base operacional um hangar localizado em São Gabriel do Oeste, que foi desarticulado. Por meio de recurso, os envolvimentos foram colocados em liberdade e, para não levantar suspeita, tiraram a base de São Gabriel do Oeste e levaram para Santarém (PA).

Operação Teto Baixo

A PF já investigava o grupo e deflagrou na quinta-feira a Operação Teto Baixo. Foram cumpridos 106 mandados judiciais nos estados do Amazonas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Tocantins e Roraima, expedidos pela Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas da Justiça Estadual de Roraima. Cerca de 200 policiais participam da ação nos 7 estados.

As investigações descobriram que no final de 2016, um avião caiu no município de Caracaraí, sul do estado de Roraima, e os ocupantes fugiram, o que levantou suspeitas sobre o conteúdo que estaria sendo transportado. A partir dessa suspeita, a PF conseguiu apurar que os responsáveis pela aeronave estariam envolvidos em uma organização criminosa destinada ao tráfico de drogas.

Durante o ano de 2017, três ações coordenadas pela Polícia Federal durante as investigações resultaram na apreensão de mais de meia tonelada de cocaína nos estados de Roraima, Pará e Tocantins. O esquema envolveria o transporte de cocaína que seria recebida na região Norte do Brasil por meio de aviões com destino ao Centro-Oeste. Cada voo transportaria, em média, 550kg da droga, e o grupo contaria com pelo menos 18 aeronaves. 

A cocaína seria pega em São Gabriel da Cachoeira/AM, de onde o avião partiria para alguma pista clandestina no estado de Roraima, com o intuito de se afastar de regiões com maior fiscalização, para depois ir em direção a estados como Goiás e Tocantins. 

A organização seria estruturada em três núcleos distintos: um familiar, formado por parentes do líder esquema, quem comandavam os negócios; um outro núcleo que prestaria apoio logístico ao grupo – como a identificação de pistas clandestinas, arrendamento de fazendas e abastecimento das aeronaves; e um último composto pelos pilotos.

Foram deferidos 30 mandados de prisão preventiva, seis de prisão temporária, 27 de busca e apreensão, sete mandados de bloqueio ou suspensão de regularização de imóvel rural e 36 mandados de sequestro ou bloqueio de bens, os quais incluem, além dos 18 aviões, imóveis, propriedades rurais e mais de R$ 290 milhões de reais de eventuais contas bancárias em nome de 36 investigados. Em Mato Grosso do Sul, ao todo foram: 2 mandados de prisão preventiva e 2 temporárias em Campo Grande; 1 prisão temporária em Naviraí; 3 mandados de busca em Campo Grande; 5 mandados de bloqueio/sequestro de bens em Campo Grande e 1 em Naviraí.

Jornal Midiamax