Polícia

Empresários presos definiram que preço do gás de cozinha deveria chegar a R$ 90 até junho

Ao menos oito pessoas tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça

Maisse Cunha Publicado em 27/03/2018, às 20h43

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Ao menos oito pessoas tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça

Durante as investigações que resultaram na Operação Laissez-Faire, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), nesta terça-feira (27), os promotores Etéocles Dias Júnior, Ricardo Rotunno e Cláudia Almirão, detectaram que empresários do ramo de gás já haviam combinado que o preço do gás de cozinha deveria chegar a R$ 90 em Dourados, até o início do inverno, em junho.

Agentes do Gaeco, com apoio de policiais da Força Tática, cumpriram 15 mandados de busca e apreensão em residências e empresas de acusados. Ao menos oito pessoas tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça.

De acordo com o MPE-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a operação Laissez-Faire tem como objetivo combater suposto cartel de venda de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), o popular gás de cozinha, nas cidades de Dourados e Nova Andradina, região sul do estado.

Os promotores afirmaram que a investigação teve início há alguns anos, no entanto, as ações desta primeira fase da operação ocorreram após um comerciante se sentir coagido por um grupo de empresários, denunciando, posteriormente, no MPE-MS.

Ao longo da entrevista coletiva, realizada na tarde desta terça-feira (27), na sede da promotoria em Dourados, o promotor de Justiça Etéocles Brito afirmou que as buscas tiveram intuito de desbaratinar organização criminosa que estabeleceu cartel de preços e divisão de mercado em municípios da região sul do estado, principalmente Dourados e Nova Andradina, onde os trabalhos forma realizados.

De acordo com o MPE-MS, as investigações apontaram fortes indícios de combinação fraudulenta de preços do gás de cozinha, venda clandestina do produto a terceiros não habilitados para a comercialização e controle do merca, causando “flagrante prejuízo ao consumidor final”.

Nomes dos envolvidos e empresas não foram divulgados, pois a investigação corre em segredo de justiça. De acordo com o promotor Etéocles, foi possível detectar, durante as investigações, que a livre concorrência foi violada e o prelo do produto ao consumidor final era todo combinado previamente, a fim de causar favorecimento ao grupo em questão.

Novas diligências

Posteriormente, em continuidade às investigações, de acordo com os promotores, providências serão tomadas no que tange as possíveis improbidades administrativas e aqueles que permitiram que as atividades ilícitas ocorressem serão convocados a depor.

Companhias distribuidoras de gás de cozinha também serão chamadas a prestar esclarecimentos sobre códigos de conduta e, também, como procedem evitar irregularidades. O promotor Ricardo Rotunno afirmou, durante a coletiva, que a cartelização é uma ‘infeliz realidade’ e que alguns agentes o praticam mesmo sabendo da ilegalidade da conduta.

(Com informações do Dourados Agora)

Jornal Midiamax