Polícia

E aí, topa? Muçulmano preso por terrorismo quer receber cartas no Presídio Federal

Para a Justiça ele é o líder de grupo criminoso que planejou ataques terroristas nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Em carta destinada ao Jornal Midiamax, se apresenta como como pai, religioso e alguém disposto a fazer novas amizades, mesmo que por cartas. Preso no Presídio Federal de Campo Grande desde julho de 2016, o […]

Clayton Neves Publicado em 31/10/2018, às 06h00 - Atualizado em 01/11/2018, às 09h05

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Para a Justiça ele é o líder de grupo criminoso que planejou ataques terroristas nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Em carta destinada ao Jornal Midiamax, se apresenta como como pai, religioso e alguém disposto a fazer novas amizades, mesmo que por cartas.

Preso no Presídio Federal de Campo Grande desde julho de 2016, o muçulmano Leonid El Kadri de Melo quer romper o silêncio cotidiano dentro das celas da penitenciária mais vigiada de Mato Grosso do Sul e, mesmo que por cartas, encontrar distração e estreitar laços com quem se propuser a conhecê-lo.

“Saudações calorosas. Meu objetivo é a divulgação do meu endereço postal para correspondência via cartas a quem se interessar, seja por motivos jurídicos, religiosos, políticos, sociais, curiosidades ou mesmo e simplesmente formar uma nova amizade”. escreve Leonid.E aí, topa? Muçulmano preso por terrorismo quer receber cartas no Presídio Federal

Condenado a 15 anos, 10 meses e cinco dias de prisão com base na Lei do Terrorismo, considerado hediondo, El Kadri foi considerado pelo juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, como uma pessoa de alta periculosidade e líder de um grupo de 15 pessoas que arquitetava ataques terroristas e tentava recrutar jovens para participar dos atos.

Preso, o muçulmano nega as acusações e se diz contra o terrorismo. Revoltado com a condenação, chegou a fazer greve de fome solicitando conversa com representantes dos direitos humanos, mas o pedido não foi atendido.

Na carta ao Midiamax, Leonid fala da saudade do filho de 7 anos. “é um lindo menino que não vejo há 2 anos”. E se coloca à disposição para sanar eventuais dúvidas sobre seu caso e sua história.

“Posso enviar dez cartas por semana, uma folha cada e receber a mesma quantidade, duas folhas cada, além de fotos convencionais. Para qualquer esclarecimento sobre as normas da unidade, entrar em contato com o setor de reabilitação, através da assistência social”, explica.

O endereço para envio de cartas para Leonid El Kadri de Melo é Avenida Henrique Bertin, 9813, Bairro Jardim Los Angeles. Cep: 79073725 – Campo Grande – MS.

O caso

Operação Hashtag da Polícia Federal que realizou investigações entre março e julho de 2016 apontou que os condenados teriam promovido a organização terrorista Estado Islâmico em publicações no WhatsApp, Telegram, Facebook, Twitter e Instagram. Nas conversas, eles planejavam atentados no Brasil e compartilhavam material extremista.

“O conteúdo obtido a partir do afastamento judicial dos sigilos de dados telemáticos e telefônicos se situa entre a exaltação e celebração de atos terroristas já realizados em todo mundo, passando pela postagem de vídeos e fotos de execuções públicas de pessoas pelo Estado Islâmico, chegando a orientações de como realizar o juramento ao líder do grupo [‘bayat’], e atingindo a discussão sobre possíveis alvos de ataques que eles poderiam realizar no Brasil, a estrangeiros durante os Jogos Olímpicos, homossexuais, muçulmanos xiitas e judeus”, diz trecho da sentença.

Nas conversas a que a polícia teve acesso os envolvidos usavam nomes fictícios e faziam referências a uma tentativa de compra de uma arma no Paraguai. Um dos investigados entrou em contato, por e-mail, com um fornecedor de armas clandestinas solicitando a compra de um fuzil AK-47.

As prisões e buscas na Operação Hashtag foram realizadas no Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Jornal Midiamax