Polícia

Após operação da PF, Cassems afasta médico investigado

Cardiologista é investigado por fraudar licitações 

Clayton Neves Publicado em 25/01/2018, às 17h38

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Cardiologista é investigado por fraudar licitações 

A Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul) anunciou afastamento imediato do médico cardiologista  Mercule Pedro Cavalcanti, investigado por suposta participação em esquema de fraude em licitações da rede pública de saúde. Na manhã desta quinta-feira (25), Mercule e um empresário fizeram implantação de tornozeleira eletrônica durante operação Again, deflagrada pela Polícia Federal.

Em nota assinada por Ricardo Ayache, presidente da instituição, a Cassems afirma que tomará as medidas administrativas cabíveis ao caso e explica que os alvos da apuração da PF não são as unidades hospitalares, mas sim empresa terceirizada que presta serviço nas unidades de Campo Grande e Dourados.

“A investigação tem foco em empresa terceirizada de hemodinâmica, que realiza específicos exames cardiológicos de alta precisão. A empresa, alvo da operação, presta serviços para as unidades hospitalares da Cassems”, diz o texto.

Entenda

Durante a Operação Again deflagrada pela Polícia Federal, em Campo Grande, nesta quinta-feira (25), um médico cardiologista e o dono de uma clínica alvo da operação foram levados para a sede da Superintendência Regional da Polícia Federal, com tornozeleiras eletrônicas. No local, os responsáveis pela ação de combate à corrupção detalharam, em entrevista coletiva, como funcionava o esquema.

O médico cardiologista que atuava no Hospital Universitário, no Hospital Regional, e na Cassems foi identificado como Mercule Pedro Cavalcanti, e, segundo a PF, participava do esquema na fraude de licitações. O dono da clínica Amplimed, o empresário Pablo Figueiredo, também foi levado durante a operação. Os dois investigados tiveram de colocar uma tornozeleira eletrônica.

Entenda o esquema: o desvio era feito através de fraude em licitações pelos hospitais e envolvia servidores públicos, que recebiam propinas em forma de viagens e transferência de carros de luxo. A clínica Amplimed era favorecida nos esquemas de licitações.

Outra forma de desvio era o sobrepreço de materiais comprados pelos hospitais, como por exemplo, um Stent- que é uma pequena prótese colocada no interior de uma artéria para evitar uma possível obstrução- que tem seu valor comercial em torno de R$ 800, mas era comprado pelo valor de R$ 2 mil.

Contratos de 2016 a 2017 mostram um desvio de R$ 3 milhões e 200 mil de um total de R$ 6 milhões. Muitos equipamentos eram superfaturados em 100% de seu valor de mercado.

O médico cardiologista e o dono da Amplimed não irão ficar presos, mas devem cumprir regras como a não comunicação com investigados da operação, afastamento do serviço público e da empresa.

Jornal Midiamax