Polícia

Iagro pode cassar registro de laticínio suspeito de reaproveitar produto com bactéria

Polícia investiga o caso

Midiamax Publicado em 21/06/2017, às 15h53

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Polícia investiga o caso

Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) pode cassar o registro de funcionamento do Laticínio Santos Reis, localizado em Figueirão – a 244 quilômetros de Campo Grande. No último dia 9 o local foi interditado depois de exames laboratoriais comprovarem que quatro toneladas de queijos estavam contaminadas por staphylococcus, também chamada de estafilococos. O produto foi descartado em um aterro sanitário do município e desapareceu. A polícia suspeita de reaproveitamento.

De acordo com a assessoria de comunicação da Iagro, o local é reincidente em autuações por falta de higiene na manipulação e manutenção dos alimentos. No dia 15 de fevereiro o estabelecimento foi multado. As adequações não foram cumpridas e uma vistoria realizada no dia 2 de maio suspeitou de contaminação dos alimentos, o que foi comprovado por meio de exames.

Segundo as informações, outros testes laboratoriais feitos, em quantidade representativa, condenaram quatro toneladas de queijo. O produto foi apreendido e enterrado no lixão, local de descarte. Dias depois, a polícia foi informada de que o material desapareceu. Iagro pode cassar registro de laticínio suspeito de reaproveitar produto com bactéria

De acordo com o delegado Leonardo Antunes Ballerini Fernandes, responsável pelo caso, denúncia anônima sugere que o alimento foi comercializado. 

“Recebemos denúncia anônima de que o queijo foi descartado e reutilizado para venda. Estamos ouvindo funcionários e o dono do laticínio. Estamos apurando ainda porque houve um intervalo grande entre o descarte e o recebimento da denúncia. Não sabemos o destino do produto”, explica.

A equipe de reportagem do Jornal Midiamax não conseguiu contato com o dono do laticínio, que deve prestar depoimento nesta quarta-feira (21). 

Conforme o delegado, se for comprovado envolvimento no caso, o responsável por desenterrar e dar outro destino ao alimento pode responder por crime contra relação de consumo. A pena varia entre dois e cinco anos de detenção, além de multa.

O estabelecimento permanece interditado por tempo indeterminado e pode ter o registro de funcionamento cassado.

Contaminação –

Em nota a Iagro confirma que a comercialização de alimento contaminado é nociva para o consumidor e que a staphylococcus aureus é uma das principais bactérias responsáveis por doenças e intoxicação de origem alimentar. 

A Iagro observa que apesar da contaminação, muitos alimentos contaminados apresentam sabor e odor normais. A intoxicação alimentar por estafilococos ocorre pela ingestão das toxinas produzidas pelas bactérias presentes no alimento contaminado. 

Os sintomas começam repentinamente com náuseas. Vômitos podem ocorrer entre duas e oito horas após a ingestão do alimento contaminado. Cólicas abdominais, diarreia, dor de cabeça e febre também são comuns. 

A perda significativa de líquidos e eletrólitos pode causar fraqueza e pressão arterial extremamente baixa. Normalmente, os sintomas duram menos de 12 horas e a recuperação é completa, porém, a intoxicação pode ser fatal, principalmente em recém-nascidos, idosos e pessoas debilitadas por doenças prolongadas.

Jornal Midiamax