Polícia

Assassino de Mayara é indiciado por latrocínio, mas defesa ‘culpa as drogas’

Advogado tenta mudar crime para feminicídio

Wendy Tonhati Publicado em 07/08/2017, às 16h34

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Advogado tenta mudar crime para feminicídio

A estratégia da defesa de Luís Alberto Bastos Barbosa, de 29 anos, preso no dia 26 de julho, acusado de matar a violonista Mayara Amaral, 27 anos, deve “culpar as drogas” pelo crime que chocou Campo Grande. O inquérito da Polícia Civil foi finalizado e a conclusão da investigação é que Mayara foi vítima de latrocínio. 

“O grande lance deles era o uso de drogas, e a música. Estavam até querendo fazer um ‘projetinho’ juntos. [As drogas] Foi o grande enlace deles. Se tiver um grande culpado nessa tragédia, são as drogas. Porque a moça [Mayara] era uma moça decente, ele, um rapaz maravilhoso. Nunca teve problemas com a Justiça. Ele está arrasado, tanto quanto a família da moça”, antecipa Conrado Souza Passos, advogado de Luis. 

Nesta segunda-feira (7), o advogado procurou o Fórum da Capital para tentar que o acusado seja novamente ouvido pela Polícia Civil e possa dar a nova versão do que aconteceu no dia do assassinato. O crime foi tipificado como latrocínio –roubo seguido de morte- mas a defesa tenta a mudança para feminicídio, que tem a pena menor. 

Passos explica que pretende conversar pessoalmente com o promotor da 4ª Vara, onde o caso está até o momento, para “ponderar para que o processo seja devolvido em diligência”. Ou seja, o procedimento retorna para a Polícia Civil para que seja colhido o novo depoimento de Luís. Assassino de Mayara é indiciado por latrocínio, mas defesa 'culpa as drogas'

O defensor ainda negou que a mudança do depoimento e a entrevista à Revista Veja seja uma estratégia de defesa. “Não é estratégia nenhuma de defesa, foi um desejo dele mesmo de esclarecer os fatos. Inclusive isso já era uma vontade dele falar, até porque, a polícia não acreditou na versão dele. A polícia entrou nessa de vender a possibilidade de latrocino, que não foi. Eles foram ao motel para fazer sexo e usar drogas. Não tinha intenção nenhuma de matá-la e muito menos de roubá-la”, afirma Passos. 

Luís, segundo o advogado, ainda não recebeu visitas, além da dele. Mas, ele confirmou que a namorada de Luís está na lista e que “é um desejo dela”. Os familiares de Luís também devem visita-lo.

​Crime

Mayara foi morta a marteladas, e segundo um dos suspeitos, também foi esganada. Luís Alberto Bastos Barbosa de 29 anos, Ronaldo da Silva Olmedo, de 30 anos, e Anderson Sanches Pereira, 31 anos, foram presos em flagrante pelo crime, na quarta-feira, 26 de julho.

Em depoimento, Luís afirmou que o responsável por matar a musicista foi Ronaldo. Na versão dele, os três haviam combinado de ir ao motel juntos e foi Mayara quem buscou ele e o comparsa em seu veículo, um Gol modelo 1992. Para entrar no local, ‘Cachorrão’ teria se escondido no banco de trás.

Dias após o crime, a defesa de Luís passou a afirmar que ele queria mudar a versão dos depoimentos e contar que assassinou Mayara durante uma briga e, que estava sozinho no local do crime. 

Jornal Midiamax