Polícia

Após ‘gritos de ordem’, membro do PCC é enforcado dentro da Máxima

Justiça havia autorizado transferência para Presídio Federal 

Midiamax Publicado em 27/06/2017, às 11h42

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Justiça havia autorizado transferência para Presídio Federal 

O interno José Alves do Ouro Filho, de 31 anos, foi encontrado morto na tarde desta segunda-feira (26) na Penitenciária Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima de Campo Grande. Agentes penitenciários encontraram o preso pendurado por uma corda no pescoço poucos minutos depois de ouvirem os internos entoarem gritos do que é considerado uma espécie de slogan da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Conforme o boletim de ocorrência, José Alves foi encontrado por volta das 15 horas, logo após o banho de sol dos internos do Pavilhão II, área destinada a integrantes do PCC. Ele estava pendurado ao teto, por uma corda no pescoço, no saguão do setor 2 A.Após 'gritos de ordem', membro do PCC é enforcado dentro da Máxima

Para a polícia, os agentes penitenciários relataram que minutos antes os presos do pavilhão II, ‘reunidos de forma ordenada, bradaram gritos de ordem da facção’: “Paz, Justiça, Liberdade e União”.

O preso era apontado pela Agepen (Agência Estadual de Administração Sistema Penitenciário) como integrante do PCC e também respondia a um processo na justiça por isso. Por participação na facção, José teve aumento de pena.

Em abril deste ano, a justiça autorizou a transferência do interno para o Presídio Federal de Campo Grande, justamente pela posição de ‘chefia’ dele no PCC. O pedido partiu do diretor da Agepen depois quetrês ônibus foram incendiados na Capital,além do princípio de rebelião na Máxima após um pente-fino, o envenenamento de seis agentes peniténciarios e também de ‘manifestações’ dos presos em unidades do interior, em abril do ano passado.

O detento ainda foi apontado como autor de ameaças e violências dentro do presídio. Enquanto isso, a defesa tentava que José passasse por um novo cálculo da pena e tivesse progressão de regime, mas o pedido foi negado e apenas a transferência de unidades foi autorizada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

José Alves cumpria pena por tráfico de drogas e associação para o tráfico na cela 006 do mesmo pavilhão em que a ‘assembleia’ aconteceu. Em 2011 foi detido por envolvimento ao roubo de um caminhão no estado de São Paulo. Na época do crime, a vítima foi mantida refém por cerca de 45 minutos. A morte do interno agora é investigada pela 3ª Delegacia de Polícia Civil como morte a esclarecer.

Mortes na Máxima

No mês passado, dois internos foram encontrados enforcados em suas celas na Máxima. Rafael Lucas Ropellato, de 23 anos, foi encontrado na manhã do dia 17 de maio em uma cela com mais 18 presos.

Um agente penitenciário encontrou Rafael ao fundo da cela pendurado pelo pescoço com uma corda, no pavilhão III. Antes disso, no dia 5 de maio, Manuel Gamarra, de 32 anos, enforcado e pendurado na laje do pavilhão 1, onde é feito o banho de sol dos presos. Ele cumpria pena por tráfico de drogas e tinha sido transferido para o presídio um mês antes de sua morte.

Na data, o Jornal Midiamax apurou que o detento seria desafeto do PCC, porque ‘batia de frente’ com os integrantes, e por isso, foi assassinado. Pouco antes de terminar o banho de sol, naquele dia, os presos também se reuniram na quadra e ecoaram gritos de ordem da facção. “Um por todos e todos por um. Se Deus é por nós quem será contra nós e por fim PCC PCC PCC”.

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