Polícia

‘Prender polícia é nossa meta’, debocha perfil atribuído a pivô da prisão de PMs

Publicação causou indignação entre agentes

Renata Portela Publicado em 22/01/2016, às 16h11

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Publicação causou indignação entre agentes

Publicações em uma conta do Facebook, que seria do adolescente de 15 anos, que denunciou três policiais militares por lesão corporal, estão circulando pelas redes sociais. Em uma das postagens, feita na noite de quinta-feira (21), o garoto diz que sua 'meta é prender policiais'.

No perfil do Facebook, o jovem fez duas publicações, uma em que diz “Prender Polícia é a nossa meta” e, em seguida, o trecho de uma música que diz “Vivendo nesse mundo louco”. As postagens já circulam no WhatsApp e os policiais se mostram indignados com a situação.

“Ficamos indignados e revoltados, eles (PMs) tinham pelo menos de ter direito à defesa, se cometeram algum crime, seria lesão corporal, e nesse caso não ficariam presos. O bandido não fica preso, e agora o adolescente fica debochando dos policiais”, desabafou uma policial militar, há 23 anos na corporação.

Após ampla divulgação, o adolescente teria apagado as publicações.

Passagens

O adolescente envolvido no episódio que resultou na prisão de três policiais militares tem 15 anos, mas já é dono de um histórico de registros policiais. Ele configura como menor infrator em tentativa de roubo e estupro de vulnerável.

Conforme registro feito na Depca (Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente), em dezembro de 2013, o adolescente foi apontado com infrator em caso de estupro contra uma menina de 12 anos. Sob ameaças de pegar uma arma, ele forçou a colega de escola a entrar em um terreno baldio, onde violentou a menina. Na época, a menina declarou à polícia que ainda era virgem.

Em 2015, o jovem envolveu-se em tentativa de furto, segundo ocorrência registrada na Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento a Criança e ao Adolescente). Como vítima, o nome do garoto está associado em um caso de importunação ofensiva ao pudor e ameaça.

O pai do adolescente é apontado como comunicante no caso de importunação contra o filho. Entre os anos de 2007 e 2015, o nome do homem figura em crimes como estelionato, documentação falsa, coação, ameaça e desobediência. Pelo último crime, foi preso em flagrante, quando era considerado foragido pelos crimes de estelionato. Os inquéritos policiais correm na 1ª Delegacia de Campo Grande.

Relembre o caso

Conforme a denúncia, uma viatura da PM fazia rondas na tarde desta terça-feira (19), quando abordou dois rapazes, sendo um deles o adolescente em questão, em atitudes suspeitas. Segundo relatado no processo, o jovem desceu do veículo enquanto o piloto da moto fugiu.

A viatura foi atrás do motociclista, não conseguiu alcançá-lo e então retornou e abordou novamente o adolescente. Neste momento, os policiais teriam levado o jovem até um local ermo e tentado obrigar o adolescente a revelar o paradeiro do comparsa.

Em relato à corregedoria, o jovem afirmou que sofreu agressões por três dos quatro militares que estavam na viatura, sendo pressionado a dizer o endereço do rapaz que pilotava a motocicleta. O garoto então passou o endereço da própria casa, foi colocado na viatura e levado ao local, uma residência no Jardim Imá, região oeste da Capital.

Já no local, ele começou a gritar os pais, que o viram na viatura e começaram a perseguir o veículo. Após perder a viatura de vista, o pai ligou para o 190, contando a situação, momento em que a Corregedoria da PMMS foi acionada e o caso reportado.

Algum tempo depois, o garoto, que foi deixado nas proximidades do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), voltou para casa e foi até a Corregedoria acompanhado do pai. Os policiais negaram a ação, mas acabaram presos por conta do depoimento da vítima e de testemunhas.

Jornal Midiamax