Polícia

Empresa diz que vai processar funcionário que usou carro oficial para matar jovem

Mecânico terá que ressarcir gastos com reparação de veículo

Gerciane Alves Publicado em 01/08/2016, às 20h38

None
2.jpg

Mecânico terá que ressarcir gastos com reparação de veículo

Além de responder criminalmente por homicídio qualificado e tentativa de feminicídio, Max William Romana dos Santos, suspeito de atropelar e matar o atual namorado de sua ex na noite de domingo (31) no Bairro Mata do Jacinto, também responderá a um processo civil movido pelo proprietário da oficina mecânica de onde ele furtou o veículo usado no crime.

A informação é da advogada da empresa Andreia Arguelho. Ela explica que não há nada que a empresa possa fazer no âmbito criminal, já que apesar do ato realizado pelo mecânico aparentemente caracterizar furto, não responderá por isso. “Pela lei furto é quando você subtrai algo para tirar vantagem para você ou par outro, mas pelo que vimos ele não tinha a intenção de vender ou passar o veículo para terceiros. Ele utilizou para outro fim”, explica a advogada.

Porém, Andreia ressalta que no âmbito civil Max William “terá um problema com a empresa”. Segundo a advogada todos os serviços necessários para reparar os danos causados pelo acidente no carro estão sendo realizados para que ele seja devolvido ao Detran-MS (Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul), mas a conta quem irá pagar será o mecânico.

“A empresa é responsável pelo veículo. Ela irá fazer todo o conserto, restaurar e entregar para o cliente. Então todo dano que a empresa arcar em relação ao cliente nós entraremos com uma ação civil de reparação por parte do rapaz. Ele vai ter que reparar esse dano”, destaca a advogada.

Bom funcionário

Trabalhando há oito meses na oficina mecânica, Max William era considerado um bom funcionário e tinha a confiança dos proprietários da empresa. Confiança esta que rendeu ao mecânico o privilégio de possuir uma cópia da chave do portão da oficina. Segundo a advogada foi desta forma que Max William conseguiu ter acesso ao veículo usado no crime.

Andreia conta que a cópia da chave foi dada ao mecênico há cerca de um mês após um problema ocorrido na empresa. “Todos os proprietários e o gerente, que eram quem possuíam as chaves, estavam viajando e um cliente precisou deixar um veículo que deu problema no fim de semana e não tinha quem abrisse a empresa. Como ele já trabalhava lá há algum tempo o proprietário deu uma cópia da chave caso não houvesse ninguém da empresa na cidade e isso acontecesse novamente”, conta.

Com a chave do portão da oficina, a advogada conta que o mecânico “se aproveitou da confiança do proprietário”, e no último fim de semana retirou o veículo do local quando todos os funcionários já haviam ido embora. “Segundo a polícia e os vizinhos ele estaria com o veículo desde sábado [30]. Então a empresa fechou às 13 horas e depois que todos os funcionários foram embora ele pegou o veículo”, diz.

O local é vigiado durante a semana por um guarda-noturno ainda segundo a advogada, mas este só chega as 20 horas e não tem controle sobre os veículos do local. “Ele só entra dorme e no outro dia vai embora. Então durante a noite é certeza que ele [Max] não esteve lá”, salienta.

O caso

O crime aconteceu por volta das 18h30, quando o suspeito encontrou o casal parado em uma rua do Bairro Mata do Jacinto. O tio de Rafael ainda detalhou que eles estavam na moto que pertence à mãe do rapaz e que mesmo depois de derrubar o casal do veículo, o assassino teria dado ré e ‘passado por cima’ de Rafael mais uma vez. A motocicleta foi arrastada por 16 metros.

Rafael morreu e a jovem, de 23 anos, foi socorrida e levada para a Santa Casa da Capital. Segundo a Polícia Civil, testemunhas identificaram o autor crime como Max William Romana dos Santos, ex da namorada de Rafael.   

Jornal Midiamax