Polícia

‘Dono de favela’ diz que foi torturado e se livra de acusação de porte de arma

‘Nando’ é suspeito de envolvimento em esquema de exploração sexual 

Midiamax Publicado em 21/11/2016, às 23h16

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‘Nando’ é suspeito de envolvimento em esquema de exploração sexual 

Suspeito do desaparecimento de pelo menos dez pessoas no Danúbio Azul, Luiz Alves Martins Filho, o ‘Nando’, afirmou em audiência ter sido torturado pela polícia. Durante a operação que desarticulou o esquema de exploração sexual e tráfico de drogas, o ‘cabeça’ do grupo também foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, mas foi liberado do crime e também do pagamento de R$ 1.320 em fiança.

No dia 10 de novembro, equipes da Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude) cumpriram mandados de busca e apreensão que resultaram na prisão de Nando. Na casa dele, ao lado da cama, os policiais encontraram um revólver calibre 38, com seis munições. Na data ele alegou ter comprado a arma do dia anterior por estar sendo ameaçado.

Diante da situação, o suspeito também foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma. Em audiência de custódia na comarca de plantão do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul, ‘Nando’ afirmou que foi tortura pelos investigadores com um saco plástico na cabeça e ainda ameaçado de ter drogas colocadas em sua residência, o que configuraria tráfico.

Depois do depoimento, o suspeito foi liberado do flagrante e condenado a pagar uma fiança de R$ 1.320, além de se responsabilizar em aparecer mensalmente à justiça, justificar atividade todos os meses, não frequentar locais que façam a venda de bebidas alcoólicas e também não sair de casa durante a noite.

Mesmo assim, a defesa, alegando que ‘Nando’ trabalha como jardineiro e sobrevive com benefício previdenciário, conseguiu reverter à decisão e isentar o pagamento da fiança. Mesmo com alvará de soltura em mãos, o homem continua preso temporariamente para a investigação do esquema de exploração sexual.

Ele é considerado pela polícia como principal suspeito da morte e desaparecimento de dez pessoas no Danúbio Azul e já apontou o local onde três das vítimas estavam enterradas. Em depoimento ele ainda contou que todos os que quiseram sair do esquema foram assassinados e enterrados de cabeça para baixo na região da Chácara dos Poderes.

‘Nando’ era considerado a saída para os problemas dos moradores na região do Danúbio Azul, que sem terem como pagar as dívidas, se envolviam em esquemas de exploração sexual e também de tráfico de drogas. Em sua maioria, as vítimas que recorriam a ‘Nando’ eram usuárias e viviam em situação de extrema miséria.

Nomes de alguns dos desaparecidos foram divulgados pela polícia, são eles: Bruno Santos da Silva, Alex da Silva dos Santos, Aline Farias da Silva, Vanderlei de Almeida Dias e Ana Cláudia Marques, além dos adolescentes que tiveram a identidade preservada. As identidades das três ossadas já encontradas, não foram divulgadas.

Segundo a Polícia Civil, ao todo já foram realizadas 12 prisões na operação. Equipes da Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos) e da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios) participaram das buscas.

Jornal Midiamax