Polícia

Assassino tenta justificar feminicídio de médica por ‘diferença salarial’

Matou ex-mulher no trabalho e fugiu para o Paraguai

Thatiana Melo Publicado em 15/12/2016, às 16h05

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Matou ex-mulher no trabalho e fugiu para o Paraguai

Durante depoimento nesta quinta-feira (15), Rafael dos Santos, de 35 anos, tentou 'explicar' os motivos para ter assassinado a ex-mulher, Nislaine Colman Benites, de 31 anos, em um posto de saúde onde ela estava trabalhando como médica. À polícia, o matador disse que era 'humilhado' pela vítima. No entanto, ela já tinha terminado o relacionamento com ele.

Segundo o relato de Rafael, depois que Nislaine se formou em medicina, teria passado a desprezá-lo dizendo que ele não seria homem para ela. Ainda em depoimento, o autor afirmou que teria descoberto que Nislaine estava tendo um caso extraconjungal com um enfermeiro que trabalha no mesmo posto de saúde. Como ele a matou, não é possível confirmar a versão com a mulher.

Por causa da descoberta, o casal teria se separado há um mês, ainda segundo a versão de rafael. “Eu não poderia aceitar que ela levasse o enfermeiro para a casa que construímos juntos e vivesse com ela e nossas filhas”, afirmou na delegacia como 'justificativa'.

Culpa não é da vítima, é do assassino

A diferença salarial, segundo o autor, era grande porque a médica ganhava R$ 30 mil. São comuns em casos de feminicídios as tentativas dos assassinos de culpabilizar as vítimas, como se alguma coisa que a mulher tenha feito justificasse o crime. Segundo especialistas e militantes da luta pela igualdade entre os gêneros, na verdade o sentimento de posse que alguns homens nutrem pelas mulheres é a verdadeira causa das mortes.

Wânia Pasinato, socióloga, pesquisadora e consultora da ONU Mulheres no Brasil, diz que os estereótipos de gêneros são usados na tentativa de 'explicar' os crimes de forma a tentar culpar a vítima pela violência sofrida. "Os polos acabem se invertendo para colocar a mulher como a responsável pela violência que sofreu. Busca-se então enquadrar a mulher nos moldes de gênero, verificar se ela é uma boa mãe, uma mulher comportada, e também como se vestia, por onde transitava”, explica no Dossiê Feminicídio, da Agência Patrícia Galvão

Assassinada enquanto trabalhava

Na manhã desta quarta a médica Nislaine Colman Benites, 31, foi morta a tiros na UBS (Unidade Básica de Saúde) da Família Dr. Nery A. de Azambuja em Ponta Porã. Ela chegou a correr, mas caiu na cozinha do posto.

O crime acontece por volta das 8h40. Rafael chegou ao local em uma motocicleta, desceu e a vítima ainda tentou correr, mas foi atingida pelos tiros e morreu no local.

A mulher teria se escondido na cozinha do posto, onde enfermeiras tomavam café, mas o homem arrombou a porta e a atingiu com três tiros. O suspeito fugiu do local em uma motocicleta cinza.

Fugiu para o Paraguai

Rafael dos Santos, de 35 anos, identificado como suspeito pela morte da ex-mulher, a médica Nislaine Colman Benites, 31, em Ponta Porã, foi preso por volta das 18 horas desta quarta-feira (14) na região da colonia Aquidaban Cañada situada a 60 quilômetros da fronteira no Paraguai.

Após o crime, agentes da polícia do país vizinho iniciaram fiscalizações e abordagens de veículos e pessoas nas estradas que saem da região de fronteira a outros estados do Paraguai. (Com a edição // Texto editado às 13h47 para acréscimo de informações)

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