Polícia

Policial entregava marmitas antes de agressão e Sinpol fala em ‘tragédia anunciada’

Ele foi agredido na cabeça com uma barra de ferro 

Diego Alves Publicado em 22/11/2015, às 02h33

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Ele foi agredido na cabeça com uma barra de ferro 

O policial civil Arlei Marcelo Farias de 38 anos foi agredido no momento em que entregava as marmitas dos presos. De acordo com o Sinpol-MS (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul), Arlei vigiava sozinho 21 detentos custodiados na delegacia da cidade.

Ele foi agredido na cabeça com uma barra de ferro serrada da grade da cela enquanto entregava as marmitas. Após a agressão, os cinco presos fugiram com a arma e o carro do investigador.

O sindicato que convocou uma entrevista coletiva para a próxima segunda-feira (23), também informou em nota que há anos cobra das autoridades a retirada dos presos das delegacias, por causa do risco que os servidores que não foram capacitados para essa tarefa passam.

Leia a nota:

A tragédia anunciada pelo Sinpol-MS ocorreu na tarde deste sábado (21) na cidade de Itaquiraí-MS.  O policial civil Arlei Marcelo Farias (38 anos) foi brutalmente ferido na cabeça e rendido quando vigiava sozinho 21 detentos custodiados na delegacia da cidade. Ele foi agredido na cabeça com uma barra de ferro serrada da grande da cela enquanto entregava as marmitas dos presos. Após a agressão, cinco criminosos fugiram levando a arma e o carro do investigador.

Há anos o sindicato tem cobrado das autoridades competentes a retirada dos presos das delegacias, devido justamente ao risco que o servidor se submete ao realizar uma tarefa que não lhe compete e para a qual não foi capacitado. De acordo com o presidente da entidade, Giancarlo Miranda, a situação chegou a um estágio crítico. “É insustentável a permanência de detentos nas delegacias. O que aconteceu hoje é prova disso. O investigador poderia ter falecido, pois estava heroicamente mantendo criminosos dentro da delegacia e longe da sociedade. Ou toma-se uma providência urgente com relação à custódia de presos ou outras tragédias acontecerão”, declarou Giancarlo.

Sensibilizada com a situação, a categoria estuda a possibilidade de uma manifestação inédita em todo estado com a “entrega das chaves” das celas às autoridades competentes. “O Sinpol-MS convocará uma assembleia para discutir a entrega das custódia de presos”, afirmou Giancarlo.

No dia 10 de novembro, o Sinpol-MS reuniu-se com o coordenador das Varas de Execução Penal de MS, Des. Luiz Gonzaga Mendes Marques, para tratar do panorama carcerário de Mato Grosso do Sul. “Há um contrassenso imenso, principalmente dos Poderes Executivo e Judiciário, que privilegiam o direito dos presos em detrimento dos policiais”, argumentou Giancarlo.

Desde que o Sinpol-MS soube do fato, a diretoria mobilizou-se para prestar o atendimento necessário ao companheiro. O secretário-geral, Jaime Martinelli, está no local dando suporte à família. O estado de saúde do investigador Arlei é estável, ele foi levado para Dourados onde recebeu 15 pontos na cabeça e está hospitalizado para exames complementares.

 Superlotação nas delegacias

 No dia 18 de novembro, o Sinpol-MS constatou superlotação na 1ª delegacia de Ponta Porã que tem duas celas com capacidade total para abrigar oitos presos, contudo estava com 43. Além do número excessivo de presos, a unidade tem problemas estruturais como falta de ventilação e luminosidade.

No dia seguinte o sindicato constatou que a Delegacia de Chapadão do Sul abriga 25 detentos. Contudo, curiosamente, há uma determinação do Juiz da Comarca que determina o limite de 12 presos na unidade e que estabelece multa diária de R$ 05 mil por preso excedente.

Jornal Midiamax