Polícia

Palco de escândalo sexual, motéis se calam sobre como jovens entraram

Proprietários podem ter que dar explicações

Wendy Tonhati Publicado em 24/04/2015, às 20h48

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Proprietários podem ter que dar explicações

Os dois motéis citados em inquérito policial que apurou a exploração sexual de adolescentes e extorsão de políticos, não se pronunciaram sobre como as adolescentes de 15 anos entraram nos estabelecimentos. O Jornal Midiamax entrou em contato na tarde desta sexta-feira (24), com os dois estabelecimentos, mas foi informado de que no momento não havia nenhum responsável.  Foi relatado pelas adolescentes que elas foram levadas a dois motéis na região do Terminal Morenão, em Campo Grande.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Paulo Sérgio Lauretto, da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), os responsáveis pelos motéis podem responder pela entrada das adolescentes, porém o inquérito da Depca apurou os crimes de exploração sexual e extorsão. Uma cópia do procedimento será encaminhada à Deops (Delegacia Especializada de Ordem Política e Social) que vai ser responsável por investigar que os estabelecimentos vão ter algum tipo de responsabilidade.

Os cinco envolvidos: o vereador Alceu Bueno, o ex-deputado Sérgio Assis, o ex-vereador Robson Martins, o empresário Luciano Pageu e o serigrafista Fabiano Viana Otero, que está foragido, foram indiciados pelo crime de exploração sexual de menores de 18 anos.

O crime é previsto no artigo 218 b, do Código Penal. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone:

De acordo com o parágrafo 2 do artigo: I) incorre nas mesmas penas: quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo. II) o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo.

Robson, Luciano e Fabiano também foram indiciados pelos crimes de corrupção de menores e extorsão.

Exploração

Durante coletiva de imprensa, o delegado explicou que as investigações começaram depois que uma das meninas envolvidas no caso, fugiu de casa, no município de Coxim, região norte do Estado, a polícia passou a apurar uma suposta prática de exploração sexual.

A jovem que saiu de Coxim foi encontrada em Campo Grande por Fabiano Viana Otero, e outra adolescente com quem ele mantinha  relacionamento.

Para a polícia, Fabiano teria orquestrado um plano de extorsão envolvendo as duas meninas. Lauretto revelou também que dois dias antes da prisão de Robson e Luciano, advogados do vereador Alceu Bueno ficaram sabendo que o parlamentar estava envolvido no suposto caso de exploração sexual de menores e procuraram a Depca para terem acesso ao inquérito.

Foi nesse momento que Alceu decidiu procurar a polícia para registrar boletim por extorsão contra Luciano e Robson, a quem ele alega já ter pago R$ 100 mil.

Como os dois presos até agora negam ter recebido este valor do parlamentar, a polícia vai pedir a quebra do sigilo bancário de todos os envolvidos, para saber onde foi parar o dinheiro.

Jornal Midiamax