Polícia

Índios atribuem morte a disputa de poder e agora pedem paz em aldeias Kadiwéu

Conflito tem impedido que índios convivam em paz nas aldeias de Porto Murtinho.

Midiamax Publicado em 11/01/2015, às 18h05

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Conflito tem impedido que índios convivam em paz nas aldeias de Porto Murtinho.

Indígenas da etnia Kadiwéu vivem momento de medo e insegurança nas aldeias da região da cidade de Porto Murtinho, distante a 437 quilômetros de Campo Grande.  Depois da morte dos índios Ademir Matchua, de 42 anos e Horácio Ferraz, de 26 anos, em dezembro do ano passado, causadas supostamente por disputa de poder entre os Kadiwéus, um grupo de aproximadamente 30 pessoas de 6 aldeias do município esteve neste fim de semana em Campo Grande para entregar relatório e pedir auxílio da Funai (Fundação Nacional do Índio), para solucionar o problema.

O índio Lourenço Anastácio, da aldeia Alves de Barros, acompanhado da cacique Lenara Pedroso, do povoado São João, relataram que família de indígenas estaria impondo regras e fazendo graves ameaças. A princípio, os Matchua ocupam posição de liderança entre os membros da etnia.

“Todas as famílias vivem com medo agora. Por causa dessa discussão os serviços de saúde da Sesai deixaram de chegar às aldeias. Um médico já disse que não irá mais lá enquanto esta situação não for solucionada. Os Matchua querem aplicar leis que não estão de acordo com a comunidade, querem tudo para a família deles”, afirma Lourenço.

O conflito tem impedido até mesmo, segundo os índios, que remédios cheguem até as aldeias. Mesmo com medo de sofrer represálias dos próprios índios o grupo procurou a Funai para que a Fundação os ajude a retomar a harmonia no povoado.

A cacique Lenara destaca que precisou se afastar da comunidade em virtude das ameaças que recebia da família Matchua. Ela conta que chegou a ser agredida depois de ir contra as determinações dos líderes e procurou a polícia da cidade de Bonito para registrar boletim de ocorrência.

“Eles querem intimidar as outras lideranças para estar com eles, quem não fazer a vontade deles corre risco. Queremos que esta situação seja resolvida. Se continuar como está as famílias terão de sair das aldeias e buscar abrigo na cidade”, lamenta.

Os indígenas afirmaram ainda que vão procurar a Prefeitura de Porto Murtinho, Polícia Federal e também o Ministério Público para que os mesmos interfiram na situação e solucionem o conflito nas aldeias Kadiwéus.

Mortes

Informações preliminares apontam que Ademir Matchua e Horário Ferraz teriam morrido no dia 11 depois de caírem em emboscada. Os dois chegaram a ser socorridos pelos próprios índios e levados para o hospital de Bodoquena. O caso foi registrado na Polícia Civil do município.  

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