Polícia

Delegado e advogado de foragido procuram MPE para delação premiada

O caso deve ser concluído nesta sexta-feira

Midiamax Publicado em 24/04/2015, às 13h22

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O caso deve ser concluído nesta sexta-feira

O titular da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), Paulo Sérgio Lauretto, chegou há pouco na sede do MPE (Ministério público Estadual). Em seguida, foi a vez de Hamilton Ferreira de Almeida, que é advogado de Fabiano Viana Otero, citado como responsável pela extorsão e que é considerado foragido da justiça desde quinta-feira (23).

Os dois não falaram com a equipe do Jornal Midiamax, que apurou que a intenção deles no órgão é tentar fazer a ‘delação premiada’ para que o caso sobre a exploração sexual envolvendo parlamentares e ex-políticos seja esclarecido.

Com a delação, Fabiano teria uma pena diminuída ou isenta por conta dos esclarecimentos e entrega de novas provas sobre o caso.

Na quinta-feira (23), o delegado já havia informado que tem a intenção de concluir o caso nesta sexta-feira (24). Além disso, há um suspeito preso no caso, que seria Luciano Pageu, dono de uma revista evangélica.

O empresário havia contado em depoimento que é patrão de Luciano e teria descoberto que o funcionário tinha a intenção de extorquir o vereador Alceu Bueno (PSL), por conta de fotos e vídeos do parlamentar com adolescentes.

Com isso, ele teria procurado o político para alertá-lo e acabou sendo preso com R$ 15 mil em mãos. Dinheiro, que o parlamentar estaria pagando para que as imagens não fossem divulgadas.

Caso

Lauretto revelou na coletiva desta quinta-feira (23) que o ex-vereador Robson Martins, Fabiano Viana Otero e o empresário Luciano Pageu, proprietário da revista Altar, presos na última quinta-feira (16), serão indiciados pelos crimes de extorsão, favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável e por corromper ou facilitar a corrupção de menores, cujas penas variam de um a 10 anos de prisão.

Já Alceu Bueno e Sérgio Assis serão indiciados pelo crime de favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável, por terem praticado ‘conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 e maior de 14 anos’,  com pena de 4 a 10 anos em regime fechado.

O delegado revelou que ao todo o inquérito tem dez  trechos de filmagens, com mais de duas horas. Material que foi encaminhado para o instituto de criminalística. Apesar de ainda não ter o laudo final, Lauretto revela que já é possível identificar Alceu e Sérgio no vídeo. “Fizemos uma análise visual e foi perfeitamente reconhecido”, frisou.

Exploração

Durante a coletiva, o delegado explicou que as investigações começaram depois que uma das meninas envolvidas no caso, fugiu de casa, no município de Coxim, região norte do Estado, a polícia passou a apurar uma suposta prática de exploração sexual.

A menor que saiu de Coxim foi encontrada em Campo Grande por Fabiano Viana Otero, e outra menor com quem ele mantinha  relacionamento.

Para a polícia, Fabiano teria orquestrado um plano de extorsão envolvendo as duas meninas. Lauretto revelou também que dois dias antes da prisão de Robson e Luciano, advogados do vereador Alceu Bueno ficaram sabendo que o parlamentar estava envolvido no suposto caso de exploração sexual de menores e procuraram a Depca para terem acesso ao inquérito.

Foi nesse momento que Alceu decidiu procurar a polícia para registrar boletim por extorsão contra Luciano e Robson, a quem ele alega já ter pago R$ 100 mil.

Como os dois presos até agora negam ter recebido este valor do parlamentar, a polícia vai pedir a quebra do sigilo bancário de todos os envolvidos, para saber onde foi parar o dinheiro.

Peça-chave

Durante as investigações surgiram especulações de que outros políticos estariam envolvidos no caso, o que, segundo a polícia, não se confirmou. Lauretto afirmou que Fabiano, que está foragido é uma ‘peça-chave’ para o inquérito, uma vez que até agora os depoimentos de Luciano Pageu e Robson Martins são bastante diferentes.

Foi Fabiano quem teria armado o esquema de extorsão. As meninas foram para os encontros com os políticos com um chaveiro no qual estava instalado uma microcâmera, que registrou os momentos ‘íntimos’ entre os políticos e as adolescentes.

Em um momento do vídeo, uma das meninas, contou o delegado, falou a um dos homens com quem estava sua idade, 15 anos. Para a polícia, isto pode significar que ela tinha sido orientada a fazer isso, já com fins de extorquir os políticos.

A polícia confirmou que Sérgio Assis apesar de aparecer nas filmagens não foi procurado por Fabiano com vistas à extorsão.

Uma das adolescentes teria recebido um recado de um dos envolvidos, de que com o vazamento da história ele ‘teria deixado de ganhar R$ 1 milhão’, valor que teria sido pedido a Bueno.

Prisão

Por enquanto o delegado descartou pedir a prisão de Alceu Bueno e Sérgio Assis, porque ele acredita não haver requisitos suficientes para isso. Lauretto voltou a declarar que pretende concluir o inquérito até amanhã, sexta-feira (24), e que para isso ainda espera a conclusão dos laudos dos vídeos e de alguns celulares apreendidos durante as investigações.

Jornal Midiamax