Polícia

Ao menos mais 10 ‘clientes’ saíram com terceira garota citada no escândalo sexual

Jovem foi a primeira 'oferecida' para políticos

Midiamax Publicado em 27/04/2015, às 12h23

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Jovem foi a primeira ‘oferecida’ para políticos

A terceira jovem citada na semana passada como uma das adolescentes exploradas em suposto esquema de extorsão e encontros sexuais com políticos e empresários de Campo Grande (MS) é, na verdade, a primeira a ser envolvida  no escândalo. “Ela foi a primeira garota a ser apresentada por Fabiano aos interessados nos encontros”, conta Hamilton Ferreira de Almeida, advogado de Fabiano Viana Otero, que está preso por envolvimento na extorsão do vereador Alceu Bueno (PSL) com vídeos dos programas.

Segundo o advogado, a jovem teria se envolvido com pelo menos mais dez homens que não tiveram os nomes divulgados ainda. Apesar de considerar que as atividades das garotas nas redes sociais sejam importantes para a investigação, ele disse que nem todos no perfil falso da menina no Facebook fizeram programas sexuais com a primeira adolescente prostituída.

“Alguns políticos só  aceitava o perfil para ter mais ‘eleitores’, mas alguns davam preferência a marcar encontros”, relata.

“Ela foi a primeira a sair com os políticos, depois ele começou a agenciar as outras duas”, revela o advogado. Ele chegou há pouco na Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), onde vai acompanhar o depoimento do cliente que foi detido no domingo no Bairro Santa Emília, região sudoeste de Campo Grande. Fabiano está em uma das celas da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).

O defensor alegou que o cliente iria se apresentar nesta terça-feira (28), pois ele pleiteava a questão da delação premiada no MPE (Ministério Público Estadual). “Estou no aguardo dele, pois a proposta está de pé. Meu cliente quer colaborar com o caso e está disposto para isso”, afirma.

Sobre a prisão, Hamilton não viu problemas. “Por um lado foi bom, pois assim ele está em segurança também, pois ele estava sendo ameaçado depois que o caso veio à mídia e ele se propôs a ajudar nas investigação”, frisa, sem comentar quem ou de que forma ocorrem as ameaças.

Por volta das 8 horas desta segunda-feira (27), o titular da Depca, Paulo Sérgio Lauretto, chegou à unidade sem dar qualquer tipo de declaração à imprensa.

Caso

Lauretto revelou na coletiva desta quinta-feira (23) que o ex-vereador Robson Martins, Fabiano Viana Otero e o empresário Luciano Pageu, proprietário da revista Altar, presos na última quinta-feira (16), serão indiciados pelos crimes de extorsão, favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável e por corromper ou facilitar a corrupção de menores, cujas penas variam de um a dez anos de prisão.

Luciano foi preso em flagrante no estacionamento de um supermercado de Campo Grande com um envelope em mãos que continha R$ 15 mil, valor que estaria recebendo de extorsão para não divulgar as imagens de Alceu Bueno com as adolescentes. Fato que foi desmentido pelo empresário que afirma se tratar de uma ‘armação’, pois ele tinha intenção de alertar o parlamentar a respeito de um dos funcionários que tinha tal propósito.

Já Alceu Bueno e Sérgio Assis serão indiciados pelo crime de favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável, por terem praticado ‘conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 e maior de 14 anos’,  com pena de 4 a 10 anos em regime fechado.

O delegado revelou que ao todo o inquérito tem dez  trechos de filmagens, com mais de duas horas. Material que foi encaminhado para o instituto de criminalística. Apesar de ainda não ter o laudo final, Lauretto revela que já é possível identificar Alceu e Sérgio no vídeo. “Fizemos uma análise visual e foi perfeitamente reconhecido”, frisou.

Exploração

Durante a coletiva, o delegado explicou que as investigações começaram depois que uma das meninas envolvidas no caso, fugiu de casa, no município de Coxim, região norte do Estado, a polícia passou a apurar uma suposta prática de exploração sexual.

A jovem que saiu de Coxim foi encontrada em Campo Grande por Fabiano Viana Otero, e outra adolescente com quem ele mantinha relacionamento.

Para a polícia, Fabiano teria orquestrado um plano de extorsão envolvendo as duas meninas. Lauretto revelou também que dois dias antes da prisão de Robson e Luciano, advogados do vereador Alceu Bueno ficaram sabendo que o parlamentar estava envolvido no suposto caso de exploração sexual de menores e procuraram a Depca para terem acesso ao inquérito.

Foi nesse momento que Alceu decidiu procurar a polícia para registrar boletim por extorsão contra Luciano e Robson, a quem ele alega já ter pago R$ 100 mil.

Como os dois presos até agora negam ter recebido este valor do parlamentar, a polícia vai pedir a quebra do sigilo bancário de todos os envolvidos, para saber onde foi parar o dinheiro.

Peça-chave

Durante as investigações surgiram especulações de que outros políticos estariam envolvidos no caso, o que, segundo a polícia, não se confirmou. Lauretto afirmou que Fabiano é uma ‘peça-chave’ para o inquérito, uma vez que até agora os depoimentos de Luciano Pageu e Robson Martins são bastante diferentes.

Foi Fabiano quem teria armado o esquema de extorsão. As meninas foram para os encontros com os políticos com um chaveiro no qual estava instalada uma microcâmera, que registrou os momentos ‘íntimos’ entre os políticos e as adolescentes.

Em um momento do vídeo, uma das meninas, contou o delegado, falou a um dos homens com quem estava sua idade, 15 anos. Para a polícia, isto pode significar que ela tinha sido orientada a fazer isso, já com fins de extorquir os políticos.

A polícia confirmou que Sérgio Assis apesar de aparecer nas filmagens não foi procurado por Fabiano com vistas à extorsão.

Uma das adolescentes teria recebido um recado de um dos envolvidos, de que com o vazamento da história ele ‘teria deixado de ganhar R$ 1 milhão’, valor que teria sido pedido a Bueno.

Prisão

Por enquanto o delegado descartou pedir a prisão de Alceu Bueno e Sérgio Assis, porque ele diz acreditar não haver requisitos suficientes para isso. Lauretto ainda espera a conclusão dos laudos dos vídeos e de alguns celulares apreendidos durante as investigações.

Jornal Midiamax