Polícia

Sem novidades sobre sumiço do filho de Fahd Jamil, justiça libera ‘Meia-Água’ em MS

Justiça concedeu liberdade para o empresário e ex-presidente do PCdoB em Ponta Porã, Cláudio Rodrigues de Souza, preso desde 30 de abril

Éser Cáceres Publicado em 28/05/2012, às 12h18 - Atualizado em 16/10/2020, às 10h30

Daniel Alvarez Georges foi visto por último em Campo Grande (Reprodução, DEA)
Daniel Alvarez Georges foi visto por último em Campo Grande (Reprodução, DEA) - Daniel Alvarez Georges foi visto por último em Campo Grande (Reprodução, DEA)

A Justiça concedeu liberdade na última quinta-feira (24) para o empresário e ex-presidente do PC do B em Ponta Porã, Cláudio Rodrigues de Souza, que estava preso desde 30 de abril. A prisão temporária foi decretada nas investigações sobre o desaparecimento de Daniel Álvares Georges.

‘Meia-Água’, como é conhecido Cláudio, teve a prisão solicitada pelo titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios (DEH), Edilson dos Santos Silva, após visitar a companheira de Daniel no dia seguinte a um depoimento da mulher.

A justiça entendeu a visita, que chegou a ter os áudios divulgados na internet, como possível forma de intimidação.

Encontro com ‘Danielito’

O caso que levou Cláudio para a cadeia se arrasta desde maio de 2010, quando Daniel Álvares Georges sumiu após ser visto na companhia de Meia-Água em Campo Grande.

‘Danielito’ é filho de Fahd Jamil. Apontado como um dos homens mais poderosos da região de fronteira nos anos 80 e 90, Fahd chegou a ser indiciado como traficante e por lavagem de dinheiro, mas foi inocentado e teve a punibilidade nos dois últimos processos que respondia extinta pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) no mês de março.

Cláudio confirma que esteve com Daniel no dia apontado como a data do desaparecimento, mas garante que não teve nada a ver com o suposto sumiço. “Eu era amigo do Daniel, e estava tentando ajuda-lo a financiar um carro naquele dia. Não sei se ele está morto. Mas, se estiver, não tenho nada a ver com isso”, afirmou Meia-Água para a reportagem semanas antes de ser detido.

Com relação à visita que fez à mulher de Daniel logo após ela ser ouvida pela polícia, o advogado José Roberto Rodrigues da Rosa, que assumiu a defesa de ‘Meia-Água’, garante que o cliente visitou a mulher para resolver problemas comerciais. Ele afirma que a prisão decretada contra Cláudio foi relaxada porque não se sustenta do ponto de vista técnico.

“O argumento para manter meu cliente preso foi de que ele poderia atrapalhar nas investigações. Mas o que fizeram nesses quase 20 dias de prisão poderia ter sido feito mesmo com ele em liberdade. Não há nenhuma novidade e não se justifica a custódia”, explicou Rosa.

Onde está Daniel?

Embora as investigações corram em sigilo, muitos rumores cercam o suposto desaparecimento de Danielito. A maior dúvida, como não houve a identificação de um corpo, é justamente sobre a existência ou não de um assassinato.

Daniel é considerado desaparecido desde 3 de maio de 2010, poucos dias após deixar um presídio no interior de São Paulo onde ficou após ser preso em flagrante pela DENARC – Departamento de Investigações Sobre Narcóticos de São Paulo.

A família registrou o desaparecimento somente oito dias depois. Desde então, a polícia não se manifestou oficialmente sobre o andamento das investigações. Recentemente, parentes de Daniel estiveram em Campo Grande para coletar sangue.

O material teria sido utilizado em exames de DNA e comparado com sangue encontrado em um local apontado como cena da execução. Informações não confirmadas apontam um forno industrial como local usado para suposta cremação do corpo. O resultado, no entanto, foi negativo.

Natureza Política

Na petição que apresentou à 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande (Processo 0806578-16.2012.8.12.0001), o advogado de Cláudio Rodrigues alegou que manter o cliente preso parecia ter “natureza política, e não natureza policial”.

Foram juntadas notícias para defender que a prisão temporária de Meia-Água teria prejudicado os planos políticos da esposa do cliente, Sudalene Machado.

Ela era pré-candidata a prefeita de Ponta Porã pelo PT, mas teve a filiação partidária suspensa pela direção nacional do Partido dos Trabalhadores logo após o marido ser preso.

“Causa muita estranheza que uma investigação com mais de um ano tenha movimentos justamente quando foi deflagrada a corrida eleitoral em Ponta Porã”, pondera o advogado.

Jornal Midiamax