Polícia

Jornalista que teve videos proibidos por secretário de André reclama de truculência policial

Partes do vídeo contêm citações de cunho pessoal que envolvem o nome de Osmar Jerônymo, secretário de Estado de Governo de Mato Grosso do Sul.

Arquivo Publicado em 07/05/2011, às 15h51 - Atualizado em 19/07/2020, às 16h09

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O jornalista Valdir Cardoso reclamou da forma como foi cumprida uma ordem judicial para retirar do ar vídeos com denúncias gravadas pelo assessor parlamentar Celso Roberto Costa sobre um suposto esquema de favorecimento na distribuição de casas populares em Mato Grosso do Sul.

Segundo Cardoso, três policiais fortemente armados, dois advogados de Osmar Jeronimo e um oficial de justiça teriam ficado “batendo de porta em porta” até encontrar a casa do jornalista.

Partes do vídeo contêm citações de cunho pessoal que envolvem o nome de Osmar Jerônymo, secretário de Estado de Governo de Mato Grosso do Sul. A liminar que determinou a censura do vídeo foi concedida pelo juiz da 13° Vara Civil, Alexandre Correa Leite.

Com uma ação cautelar inominada, Osmar Jerônimo pediu que os vídeos onde foi citado pelo assessor parlamentar sejam retirados do site de Cardoso e de outros locais na internet.

Segundo Cardoso, por volta da 21 horas, os advogados e os policiais foram até a casa do irmão dele que tem 71 anos e o obrigaram dizer onde ele morava. O irmão de Valdir e a esposa que são idosos chegaram a passar mal pela forma abrupta que foram abordados pelos policiais fortemente armados.

Para tentar achar a casa do jornalista os advogados, policiais e o oficial de justiça ficaram batendo de porta em porta na rua da casa de Valdir até o encontrar.

De acordo com Cardoso, dois advogados de Osmar acompanharam o oficial de justiça até a caso do jornalista.

Cardoso disse à reportagem que irá entrar com uma ação de reparação e danos morais pela forma abrupta que os policiais abordaram sua família e entrará com uma representação na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS) contra os advogados de Osmar.

A reportagem tentou entrar em contato com assessoria de comunicação da Polícia Militar para saber como é o procedimento feito para fazer o acompanhamento de oficiais de justiça e se havia a necessidade dos policiais estarem fortemente armados, no entanto, não conseguimos falar com a assessoria via celular.

Censura e vídeos apreendidos

No inicio da tarde de ontem, Celso Roberto Costa foi preso por policiais militares e foi levado para a Delegacia Especializada de Defraudações. A Polícia Civil não informou o motivo da prisão do assessor parlamentar. Ele denunciou um suposto esquema de favorecimento na distribuição de casas populares que funcionaria no gabinete do vereador Vanderlei Cabeludo (PMDB), na Câmara Municipal de Campo Grande.

Após gravar em vídeo as denúncias e citar até um assessor direto do governador André Puccinelli (PMDB) nas acusações, que chegaram a ser veiculadas na internet, mas foram tiradas do ar.

Costa disse na entrevista, veiculada pelo site UH News, que o gabinete do peemedebista funcionava como uma espécie de balcão de venda de casas populares. Uma mulher que também prestou depoimento à polícia confirmou que era Celso Costa quem intermediava o negócio.

Dayane Simões Barbosa, 25, disse ter entregue R$ 600 ao assessor e contou que recebeu dele a promessa de que o nome dela, na espera por uma casa popular, “pularia” para o início da lista e logo era seria favorecida. O benefício, no entanto, segundo ela não ocorreu.

Jornal Midiamax