Opinião

Quem foi Adhemar de Barros

Aristóteles Drummond Publicado em 22/04/2021, às 08h05

Aristóteles Drummond
Aristóteles Drummond

No último dia 22, completaria 120 anos um dos mais importantes  políticos  do século XX.

Adhemar de Barros, um paulista aristocrata, formado em medicina no Rio de Janeiro, com mestrado na Alemanha e residência médica na França no final dos anos 1920. Em 1934, entrou para a política e, quatro anos depois, recebeu, muito jovem para a época, o convite de Getúlio Vargas para ser o Interventorl em São Paulo.

Foi o primeiro grande empreendedor do Brasil. Ousado, construiu as duas primeiras autoestradas brasileiras, ligando São Paulo a Santos (Via Anchieta) e São Paulo a Campinas (Via Anhanguera), depois a Castelo Branco, que levou o progresso para a região de Sorocaba. Fundou a Vasp, empresa aérea que marcou presença na aviação brasileira; incentivou a construção de aeroportos por todo o interior; construiu o  mais alto edifício da América Latina, sede do banco estadual; doou o terreno onde está o Masp, o mais importante museu  da América Latina; ampliou a mais importante escola de agronomia do Brasil, em Piracicaba. Lançou as bases da moderna agricultura paulista, até então limitada ao café e à pecuária.

Depois de interventor com tantas realizações, na redemocratização, em 1946, foi eleito governador. Mais tarde, elegeu-se prefeito de São Paulo, onde recuperou as finanças com auxílio de Amador Aguiar, fundador do Bradesco. Voltou para um terceiro mandato, em 1962, durante o qual foi um dos principais articuladores da Revolução de 64, com a qual rompeu dois anos depois e teve seus direitos políticos suspensos. 

No entanto, é o médico que hoje não pode deixar de ser lembrado e consagrado. Foram obras suas: o Hospital das Clínicas, até hoje, 70 anos depois, o maior da América Latina e referência no combate à pandemia; o Hospital Emílio Ribas, centro de pesquisas, de estudos e de atendimento à pandemia; o Instituto Adolfo Lutz, de pesquisas também. Deu ao Butantan   a sua sede e a ampliou para ser o que é no mundo científico. Até o Estádio do Pacaembu, onde se construiu hospital de campanha, foi de seu tempo. Foi estagiário no Instituto Manguinhos, hoje FIOCRUZ. Um gigante de visão e ação.

Adhemar, entretanto, foi alvo da inveja de seus  adversários, acusado que foi de promover uma “caixinha eleitoral” e, diante da impossibilidade de se negar seu acervo de grandes obras, foi definido como o “rouba, mas faz”. Mas, ao morrer, deixou menos do que tinha ao entrar na política. Seu grupo empresarial, que sobreviveu nas mãos do genro João Saad, foi o grupo liderado pela TV Band.

 Foi líder de um partido, PSP,  que chegou a ser o quarto em tamanho no Brasil e que vivia na base de seu prestígio popular. Como era mais homem de ação do que de articulação política, foi traído, de um lado, e atropelado pelo destino, por outro, pois seria o candidato de Vargas, em 1955, não fosse o trágico suicídio, em agosto de 1954. Teve na campanha como seu vice-presidente, o deputado Danton Coelho, o mais leal dos getulistas, e o apoio do General Caiado de Castro, senador pelo Rio, que foi Chefe da Casa Militar Vargas.

Na eleição presidencial de 55, teve em São Paulo um milhão de votos, contra setecentos mil do Marechal Juarez Távora e modestos  duzentos e trinta mil de Juscelino, que ganhou  o pleito.

E sempre venceu no Rio de Janeiro, onde fundou O DIA.

Jornal Midiamax