A aparente queda de um helicóptero que transportava o presidente iraniano, Ebrahim Raisi, e uma comitiva de autoridades deverá repercutir em todo o Médio Oriente.

Isso porque o Irã passou décadas apoiando grupos armados no Líbano, na Síria, no Iraque, no Iêmen e nos territórios palestinos que lhe permitem projetar poder e potencialmente dissuadir ataques dos Estados Unidos ou de Israel, os inimigos jurados da sua Revolução Islâmica de 1979.

As tensões nunca foram tão altas como no mês passado, quando o Irã, sob o comando de Raisi e do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, lançou centenas de drones e mísseis balísticos contra Israel em resposta a um ataque aéreo a um consulado iraniano na Síria que matou dois generais e cinco oficiais iranianos.

Israel, com a ajuda dos Estados Unidos, Reino Unido, Jordânia e outros, interceptou quase todos os projéteis. Em resposta, Israel aparentemente lançou o seu próprio ataque contra um sistema de radar de defesa aérea na cidade iraniana de Isfahan, não causando vítimas, mas enviando uma mensagem inequívoca.

Nesse sentido, os lados travaram uma guerra paralela de operações secretas e ataques cibernéticos durante anos, mas o episódio de abril foi o primeiro confronto militar direto.

A guerra em curso entre Israel e o Hamas atraiu outros aliados iranianos, com cada ataque e contra-ataque ameaçando desencadear uma guerra mais ampla. Assim, o cenário se torna uma mistura combustível que pode ser desencadeada por eventos inesperados, como um helicóptero transportando altos funcionários desaparecendo na névoa.

Programa nuclear iraniano provoca tensão

Israel vê o Irã como a sua maior ameaça devido ao controverso programa nuclear de Teerã, aos seus mísseis balísticos e ao seu apoio a grupos armados que juraram destruir Israel.

Não há evidências de que Israel esteja envolvido na queda do helicóptero de domingo, e as autoridades israelenses não comentaram o incidente.

O Hamas emitiu uma declaração de preocupação para Raisi e seus companheiros no domingo, dizendo: “Expressamos a nossa total solidariedade com a República Islâmica do Irã, a sua liderança, governo e povo”.