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Para restringir fluxo migratório, Biden enviará 2,5 milhões de doses ao México

Após pressão da comunidade internacional, o governo dos EUA anunciou nesta quinta-feira (18), que enviará ao México 2,5 milhões de doses da vacina da AstraZeneca que estão sem uso. A ajuda da Casa Branca ocorre ao mesmo tempo que o governo de Joe Biden pressiona os mexicanos a adotarem medidas de contenção da imigração na […]

Agência Estado Publicado em 19/03/2021, às 07h51

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Reprodução/Gage Skidmore)
Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Reprodução/Gage Skidmore) - Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Reprodução/Gage Skidmore)

Após pressão da comunidade internacional, o governo dos EUA anunciou nesta quinta-feira (18), que enviará ao México 2,5 milhões de doses da vacina da AstraZeneca que estão sem uso. A ajuda da Casa Branca ocorre ao mesmo tempo que o governo de Joe Biden pressiona os mexicanos a adotarem medidas de contenção da imigração na fronteira entre os dois países.

Ontem, mesmo dia em que os EUA concordaram com o envio de imunizante, o México anunciou a restrição de trânsito terrestre pelas fronteiras para conter a covid. Na prática, a medida não tem efeito sobre a fronteira norte, com os EUA, que já está bloqueada desde o ano passado. A principal consequência, portanto, é evitar a entrada por terra através da Guatemala, por onde passam boa parte dos imigrantes da América Central.

A Casa Branca anunciou ontem que tem 7 milhões de doses para entregar a outros países. Os imunizantes não estão em uso, pois ainda não foram aprovados pela agência reguladora, a FDA. Na semana passada, Biden começou a ser pressionado por governos e pela AstraZeneca a dividir as doses com nações que já aprovaram o imunizante – caso do México e do Canadá, que receberá 1,5 milhão de doses. O Brasil, por enquanto, não ficou de fora.

Segundo reportagens recentes, os EUA teriam um estoque de 30 milhões de doses da AstraZeneca, número que a Casa Branca não confirma. Em entrevista coletiva, a porta-voz da presidência, Jen Psaki, voltou a dizer que há pedidos de países pelas vacinas, mas sem revelar quais. Em outra ocasião, ela já afirmou que o Brasil é um dos que está em contato com os EUA em busca do excedente.

Nos bastidores, integrantes do governo de Jair Bolsonaro minimizaram o anúncio sobre o envio de doses ao México e ao Canadá, com a avaliação de que é natural que os EUA busquem alinhamento inicial com vizinhos e isso não fecha as portas para colaborações futuras com outros países.

Psaki disse que os envios para México e Canadá seriam um “empréstimo”, que os EUA receberiam doses da AstraZeneca, ou de outras vacinas, no futuro. “Nossa expectativa é que também teremos doses adicionais da Moderna ou da Pfizer para compartilhar com outros países assim que os EUA cumprirem seu objetivo de vacinar toda a população adulta”, afirmou a porta-voz.

Os EUA já administraram 115 milhões de doses desde o início da vacinação, em dezembro. Ao menos 75,5 milhões de americanos já receberam a primeira dose de uma das vacinas disponíveis no país, sendo que 41 milhões estão completamente imunizados, após receberem as duas doses exigidas. “Nossa prioridade continua a ser vacinar a população dos EUA, mas a realidade é que esse vírus não conhece fronteiras e garantir que nossos vizinhos possam contê-lo é crítico para proteger a saúde e a segurança econômica dos americanos e para impedir a propagação da covid-19 em todo o mundo”, disse um funcionário de alto escalão da Casa Branca.

Os EUA admitem que a decisão foi tomada ao mesmo tempo em que conversavam com o México sobre a questão da fronteira. O tema tornou-se a primeira crise do governo Biden, com o crescimento da chegada em massa de crianças imigrantes aos EUA. Psaki negou, contudo, que Washington tenha condicionado uma questão à outra ou tenha utilizado as vacinas para pressionar os mexicanos.

Antecipando uma grande onda migratória, Biden perguntou em uma videochamada ao presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, se ele poderia ajudar a resolver o problema, revelaram ontem funcionários mexicanos. O México se comprometeu a receber de volta mais famílias centro-americanas deportadas sob uma ordem de emergência dos EUA e anunciou a restrição do trânsito terrestre.

O crescimento da imigração tornou o governo Biden alvo de críticas de republicanos e também de democratas. A Casa Branca admite que, entre outros fatores, a promessa do presidente de mudar a forma como os imigrantes são tratados no país tem estimulado a entrada ilegal nos EUA.

Nas últimas semanas, o México realizou uma série de operações anti-imigração, principalmente ao longo de sua fronteira sul. A Guarda Nacional invadiu os trens para o norte que adolescentes da América Central costumam usar para chegar até a fronteira com os EUA e barrou migrantes com documentos falsos.

Esse tipo de operação aumentou nas últimas semanas, à medida que cresceu o número de migrantes centro-americanos que passam pelo México. Autoridades mexicanas disseram que suas ações são conduzidas independentemente dos EUA, com o objetivo de aplicar suas leis que regulam o fluxo de migrantes pelo país. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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